Cowboy pega seu veterinário no laço



Quando ele pulou da caminhonete vermelha do pai, eu senti como se suas botas tivessem sapateado meu coração com os dois pés sobre a grama. Eu tinha pedido que meu encarregado me trouxesse um veterinário substituto e me apareceu com um sobrinho modelinho e com cheiro de leite novo?
Praguejei e continuei enrolando a corda para pendurá-la no celeiro. Esperei que viessem até mim. Como eu poderia dispensar aquele infante o mais breve possível? Antes teria que arrumar um terceiro veterinário. Droga! Peguei minha camiseta branca e joguei no ombro.
Por um segundo, duvidei que a olhada que me deu não foi só um breve passar de vista. Seu ponto de observação parou no centro do meu abdômen travado e suado acima do cós da minha calça muito justa.
Espero que também tenha ficado com uma interrogação quando eu reparei no volume do conjunto saco-pau atochado no seu jeans claro afivelado com um cinto de couro. A camisa verde claro de finas listas quadriculadas pretas estava com os três primeiros botões abertos, revelando uma camiseta branca e um discreto cordão prateado que pendia para dentro do seu peito protuberante.
Ele malhava o corpo o dia todo ou era veterinário? Meu Deus, eu quase fiquei vermelho quando me vi chocado com um rosto tão bonito perdido naquela imensidão das minhas terras. Aquilo era bicho de cidade grande e queria se meter na vida do mato? Fora daqui! Eu quis dizer. Mas, seus olhos de um verde muito escuro sorriam enquanto sua mão estendida me esperava. Alex, seu nome.
Eu quase completei “Fêlix, seu patrão casado”. Não havia o que me preocupar. Sua aliança prateada no dedo direito indicava que estava heterosexualmente blindado. Ótimo! E sua noivinha era Ritinha, minha governanta do casarão e também sua prima. Antes que eu sonhasse em desejá-lo, lembraria 1- sou casado; 2- nunca destruiria o coração daquela doce mocinha beata que namorava à distância; 3- ele era hétero.
Tudo no seu lugar, então, vamos as apresentações da fazenda para que eu tivesse tempo de correr na cidade e buscar outro veterinário. Como explicaria ao meu encarregado que morava na casa adjacente a fazenda que seu sobrinho prodígio estudioso e sua sobrinha deviam partir para não me causar problemas de alucinações noturnas?
_Quantas cabeças tem?_uma voz rouca despertou minha atenção e vi aquele ninfo... anh, quero dizer, veterinário sexy... droga, merda, quero dizer... aquele filho da mãe de gostoso me olhando com seu queixo furado e de barba rala me questionando... o quê mesmo?
_Seu tio sabe tudo sobre a fazenda e poderá te responder tudo. Desculpe, eu sou um homem muito ocupado. Vai morar onde?
_Meu tio já comprou uma cama na cidade e irão entregar. Será que tem algum problema eu dormir com a minha noiva no quarto dela na casa grande? Se te atrapalhar...
Claro que não pode! Arrrgghhh. O quarto ficava nos fundos e, o meu, no segundo andar, óbvio que nem daria por sua presença. Dei de ombros para mostrar indiferença e olhei atrás dele meu marido entrando com Ritinha na minha Landrover.
Alex perguntou-me aonde iam quando virou-se na direção em que eu olhava. Respondi que sempre iam a cidade fazer compras de suprimentos. Quase acrescentei “tem um lado bom de você estar aqui, vai fazer um trabalho de cão de guarda da sua noiva e não terei que ficar temendo a bissexualidade do meu marido”. O único inconveniente é que todo meu lado gay se aflorava em olhar para aquele macho cheiroso, forte e com carinha de intelectual limpinho e bem tratado.
_Ele trabalha aqui também? _perguntou e eu fiquei na dúvida se Alex queria ouvir da minha boca que eu era gay. Óbvio que seu tio já lhe contara que trabalhava para um casal gay. Mas, eu me peguei sem saber o que responder. Pedro ajudava aqui e ali, mas sua tarefa mesmo era na minha cama e saindo comigo para nos divertirmos. Era bronco, forte, mas em nada intelectual. Não entendia de administração como eu, que fizera faculdade, nem de agropecuária. Era um touro na cama e eu era feliz, ponto. Que diabos Alex estava fazendo me trazendo interrogações inquietantes? Porra, isso não vai funcionar.
_Cuide do gado, Alex. Esse será o SEU trabalho. _quase esbarrei no seu ombro quando passei, pondo o chapéu na cabeça.
No dia seguinte, quando cheguei no curral, Ritinha acompanhava o trabalho de Alex. Este estava de costas para mim e não viu minha chegada. Os outros peões só com o meu olhar já se puseram mais ativos, vendo a chegada do patrão.
_É bom, então, como se diz isso? Inseminar? _Ritinha perguntou e tive pena da sua ignorância. De repente, senti vergonha de concluir que Pedro era tão bronco quanto ela.
_Ajuda a fazer o melhoramento genético..._ sua voz soava monótona e com tédio. Tinha certeza que se sentia em um trabalho inútil, explicando coisas que ela não podia entender. Eu já passara por isso tantas vezes... era desestimulante saber que a pessoa que gosta não entende nada do seu mundo. _... Ajuda a não dar doenças infectocontagiosas na reprodução, dá pra fazer racionalização do manejo reprodutivo...
_Hum..._Ritinha continuava olhando-o perdida, mas curiosa.
Alex conferia os materiais para o procedimento atentamente: Botijão com nitrogênio líquido; Sêmen; Luvas descartáveis; Bainhas descartáveis; Aplicador; Termômetro; Cortador de palhetas; Pinça; Tesoura; Papel toalha; Garrafa térmica; Recipiente para descongelação do sêmen.
Vestiu o avental branco e a luva que chegava no seu ombro. Examinou atentamente a vaca marcada que já devia ter 12 horas de identificação do cio.
_Óh, meu Deus, não agüento ver isso._ela saiu correndo e nem notou quando passou por mim ruborizada.
Alex pareceu aliviado em ter sido deixado em paz. Percebeu minha presença quando conferiu que o animal estava bem contido e preso. Deu bom dia e continuou com seu ar profissional, mas não tinha aquele clima de servidão e medo dos demais peões, como se não precisasse estar ali.
_Parece bem experiente._ elogiei.
_Ossos do ofício, só isso. Já trabalhei em algumas fazendas. _disse enquanto higenizava o períneo e a vulva da vaca.
Descongelou o sêmen a 37 graus por 30 segundos, secou a palheta, montou o aplicador e abriu os lábios vulvares para introduzi-lo. Sua mão entrou no reto, achou o cérvix da vaca e passou o aplicador até o útero onde foi depositando o sêmen de vagar. Depois, lentamente retirou-o e massageou o clitóris da vaca. Retirou a bainha descartável e a luva, que jogou fora.
_Gosta do que faz?_me vi puxando assunto demais.
Ele levantou os olhos da prancheta onde anotava a ficha do animal e lambeu os lábios:
_Senhor, se quer saber se gosto de enfiar o braço até a axila no reto de dez vacas por dia, sim, é o meu trabalho._ voltou-se para o cilindro de nitrogênio.
_Senhor?!_quase gritei._Pois sou eu que vou usar essa luva!
Ele sorriu e aquele sorriso de dentes brancos mexeu com uma coisa adormecida dentro de mim e que me deixava vivo.
_Ah, você gosta também?_riu e eu saí, balançando a cabeça para os lados. _Devo mandá-lo marcar e domá-lo?
_Eu sou o seu chefe! _Apontei com a mão que segurava o chapéu, prendendo o riso._Não banque o engraçadinho. _sai.
À noite, no sábado, fomos beber no bar da cidade e Pedro convidou o casal Alex e Ritinha pra ir junto no carro. Por mais que Pedro fosse bem humorado e simpático, eu sentia o ciúme de Alex subindo-lhe. Isso me preocupava. O que Alex via que eu não via? Ou que não me preocupava em ver?
Ele sentou-se ao meu lado no balcão do bar, onde eu tomava uma cerveja no gargalo. Reportou que sua noiva estava se divertindo no touro mecânico e Pedro não parava de tirar fotos. Eu o ignorei, não iria lá brigar com aqueles dois como se fossem crianças aprontando arte no mato. Estava cansado de Pedro já há algum tempo.
_Passei no período de adaptação, boss?_riu e abriu a cerveja que pedira. Tinha uma voz agradavelmente rouca e baixa.
_Eu nem sei como deixei chegar até aqui._pensei alto, lembrando dos últimos 3 meses.
_Posso saber o que tenho trabalhado contra mim? _riu baixinho e enxugou a boca na manga da blusa, parando com o queixo no braço, olhando-me em silêncio.
_Você é muito novo, não pensei que duraria ser curtido nesse sol.
_Oh, não, ainda abalado com aquele “senhor”?_bebeu e notei o bico do seu lábio vermelho e senti um desejo por um beijo.
_Escute aqui, eu não sou velho. Hei, tenho 39 e você deve ter uns...
_28._completou._Mas, você quer se parecer mais velho. Entendo, é uma forma de ganhar mais respeito, já que é dono disso tudo e só tem a sua avó quase cega.
_É... o mundo parece maior, às vezes, pesado.
_Só quando está apenas sobre dois ombros._ virou-se de lado para mim com o braço apoiado no balcão.
_Não, eu tenho muitos ombros que trabalham comigo...
_Você é muito inteligente, entendeu o que quis dizer, não me decepcione. _deixou as notas abaixo da garrafa e saiu.
Alex queria desde o começo me alertar para o que acontecia debaixo do meu nariz. Mas, eu observava sua guerra como um expectador cansado, querendo ficar na arquibancada do coliseu. Peguei suas mensagens no celular de Pedro ameaçando-o pra que parasse de olhar para Ritinha. Depois, notei e-mails seus na caixa de entrada displicentemente esquecida aberta por Pedro no meu laptop, dizendo que iria abrir o jogo comigo.
Eu podia ter ficado com raiva de Pedro, mandado Ritinha embora na hora. Mas, só tinha olhos para observar Alex. Por que ele permanecia? Meu silêncio e omissão era o convite de entrada daquele circo. Até onde iria o triângulo?
Nada abalava seu profissionalismo. Ficava compenetrado cuidando dos cavalos de raça como um enfermeiro atento ao seu paciente. Escovava-os com atenção e montava como ninguém, um verdadeiro Centauro: homem e animal.
Ali, com o pé na cerca de madeira branca e com o queixo apoiado no braço, admirando-o sem camisa e chapéu passando pelos obstáculos entendi por que eu aceitava a traição dentro de casa: era a única maneira de mantê-lo.
Mas, e Alex? Qual a sua desculpa? Procurava arrancar alguma resposta da pura observação do seu corpo galopando junto com o cavalo. Eu queria pegar meu laço e domá-lo, mas era uma idéia sem arreios, só um sentimento impossível.
Começamos a conversar mais, a beber juntos à noite, a trabalharmos até mais tarde, a saber como fazer o outro rir. Eu sentia que Alex queria provocar Pedro e mostrar que podia me roubar também. Mas, era uma idéia insólita. Alex não era gay. E se fosse bi como Pedro? Não, sem esperanças. Na verdade, eu, pelo contrário, não estava querendo provocar Pedro. Fingia não dar por sua falta quando acordava à noite sozinho. Seu desejo era aliviado em outra cama no térreo e eu podia ficar em paz, ansiando por ver Alex.
Numa noite, porém, eu vi Alex ao meu lado na cama e tive certeza que eu só podia estar sonhando. Já estava naquele estágio de desejá-lo em sonho? Em seguida, ouvi os passos de Pedro retornando no corredor e apertei os olhos, mexendo-me na cama.
_Alex, é você?_sussurrei.
Ele abaixou-se e acho que se escondeu sob o colchão. Fiquei bem quieto, esperando Pedro voltar a dormir. Meu coração batia tão forte que eu pensei que meu marido ouviria.
Alex saiu de baixo da cama e sentou-se. Engoli em seco e fiz um sinal para sair, mas ele estava fora da sua racionalidade. Puxou o lençol e afagou minha coxa quente. Oh, meu Deus. Isso agora não. Outro bi não, não. Mordi o travesseiro quando sua mão segurou meu pau mole e deu duas bombadas.
Mergulhei com a mão no edredom e encontrei sua mão apertando meu pau rígido já. Era para tirá-la, mas não resisti e antes o ajudei a dar mais duas fortes e longas punhetas.
Se Pedro acordasse? Hei! Alex estava me tocando e isso valia qualquer alto risco. Eu deixei-me levar, fechando os olhos e sentindo sua mão conduzir com habilidade meu mastro, sem mover um músculo do corpo, paradinho, me deliciando.
Gozei no escuro. Não sei onde a porra foi parar, mas adormeci e Alex sumiu por onde entrou. Recuperei o fôlego, o coração sofrendo no peito.
Acordei decidido. Passei pela mesa do café da manhã roubando apenas um pedaço de bolo de fubá que fui comendo e esfarelando pelo caminho. Na outra mão, o copo de café.
Alex já estava no seu trabalho com os cavalos, mas eu ordenei que me seguisse. Deixei o copo em qualquer lugar e andei para a caminhonete que já tinha duas mochilas de suprimentos.
_Tenho trabalho...
_Eu digo onde é seu trabalho._liguei o motor._Entre, agora!
Ele olhou para os lados, inconformado. Entrou sem falar nada. Desliguei o celular e mandei que fizesse o mesmo. De contra gosto seguiu a ordem. Entramos na clareira da mata, passamos por um rio baixo e chegamos a uma pequena choupana que eu mantinha quando ia caçar. Havia sido limpa cedo quando madruguei e passei as ordens ao encarregado.
_Por que estamos aqui?_perguntou quando fechei a porta e mostrei que estava armado.
_Felix, pra que é isso? Ouça, eu posso explicar, ok? Ontem...
_Senta aqui._botei uma cadeira afastada da mesa de madeira.
_Tudo bem, eu sento. _ligeiramente tremia e esfregava os joelhos._Pensa mesmo em me matar?
Não respondi e peguei a corda que trouxera comigo. Ordenei que botasse as mãos atrás. Procurei apenas imobilizá-lo e não machucá-lo.
_É assim que vai fazer? Me tratar como um animal?_perguntou.
_E como me trataram? Ãnh?_falei perto do seu rosto. _Acha que vou aceitar brincadeiras?!_encostei o cano na sua bochecha. _Que porra foi aquela de ontem?!
_Eu não sei o que deu em mim...
_Um ataque de desejo repentino por um pau?_berrei.
_Eu não sei o que está acontecendo, saiu do controle.
_O que saiu do controle? O quê?_ empurrei a cadeira para trás, mas a sustentei, vendo seus olhos se esbugalharem de pânico.
____Me deixe te contar tudo, deixa eu falar e ai decide se quer me matar...
Soltei a cadeira para frente e seu corpo chacoalhou. Limpei o suor da testa e deixei a arma na mesa. Não podia perder a cabeça. Tirei uma garrafa de água da mochila e bebi.
_Comece.
_Eu sou hétero, quero deixar bem claro, que sou completamente hétero.
_Completamente?_ri e bebi mais água.
_Sim, sou. Aquilo ontem, foi uma confusão da minha cabeça.
_Confusão?_repeti, batendo com a garrafa na mesa que espirrou água no meu braço e no chão.
_Pedro está tendo um caso com Ritinha..._abaixou o rosto, humilhado.
_Eu sei.

_Sabe?_fez uma careta de espanto._Mas...
_E por que decidiu dar em cima de mim?_fui ao ponto.
_Eu mandei Pedro parar. Mandei Ritinha parar, mas eles estão loucos um pelo outro.
_Não foi isso que perguntei.
_Então, foi por isso, o que falei: eu queria atingi-los.
_Deixa ver se eu entendi. Você estava querendo fazer ciúmes naqueles dois vermezinhos e ousou mexer com meus sentimentos no ápice da sua coragem hétero?
_Eu falei para Pedro que o faria provar da humilhação que eu sentia. Mas, ele disse que não deixaria nunca de estar ao seu lado, pois gozava do status, do seu dinheiro, seus carros...
_Ele não falou isso.
_Na verdade falou pior. Mas, eu queria atingir Pedro. Ameacei e fiz.
_Ele estava acordado ontem quando você foi até meu quarto?
_Provavelmente sim...
_Puta que pariu!_passei o braço na garrafa plástica que caiu no chão rolando._Estão todos gozando literalmente da minha cara e na minha cara?
_Não, eu não. Eu comecei querendo feri-los, mas não sei, fui te conhecendo e não queria mais te machucar. Desculpe, Félix. Eu sou hétero. Foi só um jogo sem sentido e imoral...
_Você acredita nisso? Que foi só um jogo superficial? Que não mexeu comigo?_ajoelhei-me na sua frente, entre suas pernas abertas._ Que sua heterossexualidade está tão segura._ abri os botões da sua blusa e ele bufou forte, puxando o ar.
_Por favor, não me torture._pediu.
Encostei minha testa no seu peito, pedindo que a minha fera se acalmasse e não o machucasse. Quando levantei o rosto, meus lábios roçaram sua pele lisa e sedosa, queimada de sol. Como era lindo e eu estava aos seus pés, magoado, apaixonado.
_Não se pode brincar com os sentimentos das pessoas, sem sair imune. _disse-lhe, olhando nos olhos com voz grave, mas calma._ E não acredito que só eu tenha visto o que vi, sentindo sozinho o que senti..._passei as costas da mão sobre os finos pêlos do caminho do centro do seu abdômen e rocei sua calça. Alex fechou os olhos e trincou o queixo, gritou para que eu ficasse longe._Tudo bem. _puxei o nó e o libertei do laço.
Não tinha notado sua fúria até então, pois pegou-me pelo braço e me jogou contra a mesa, depois contra a parede, caiu comigo pelo chão. Tonto com aquele monstro demolidor, engatinhei de costas até a parede, afastando-me, mas me puxou pela camisa para que ficasse de pé e olhos nos olhos me encurralou.
_Eu não sou gay, só gosto de você, só isso, entendeu?
_Sim._respondi bem baixinho e tive medo do que ia dizer, então, quase não saiu, acho que só eu ouvi._Então, me beije...
_Eu não quero que pense que sou gay.
_Eu não vou pensar. Mas, você quer também, não quer?
_Quero._afastou-se e senti suas costas tremendo._Eu não acredito._pegou a arma._Como você foi capaz de fazer isso comigo? Eu devo matar você ou a mim? O que adianta matar você, se eu vou lembrar. Não vou? _caminhou até a janela.
Eu estava tranqüilo, pois não tinha trazido a arma carregada. Só queria apertá-lo e colocar as coisas as claras.
_Eu vou lembrar que quando o sol se abaixa e chega sete horas, você se recolhe como os pássaros e vai tomar banho..._falava sozinho, de costas._... Depois, você gosta de ouvir algumas músicas velhas de pernas esticadas e sozinho. E quando bebe fica engraçado, solto, mas não perde o raciocínio ágil... _continuou enumerando as coisas que sabia sobre mim._... Fico esperando chegar e me fazer companhia enquanto trabalho com os animais. Meu coração parece mais rápido quando estou sobre os cavalos e você fica na cerca, me estudando sobre o chapéu, como se eu quisesse me exibir... Isso tudo é tão estranho.
Caminhei até Alex e toquei na sua mão, tirando a arma lentamente da sua mão. Seu rosto virou para trás.
_Não precisa se matar ou me matar para acabar com a parte ruim de tudo o que falou. Por que sabe qual é a parte ruim? Achar que está fazendo alguma coisa errada, achar que está indo contra a sua natureza. Quando aceitar e provar o que quer, essa sensação dará lugar a uma alegria e a um preenchimento que será como uma droga que nunca mais conseguirá largar.
_Isso é o amor. _concluiu.
_Se quiser reduzir em uma palavra._dei de ombros._Só saberá se provar e ninguém vai ser responsável pelas suas perdas e ganhos se não for você.
Continuei encostado à mesa, com as mãos apoiadas na beirada. Alex deus os três passos que faltava e pensou por muito tempo com o nariz roçando o meu. Eu podia ajudá-lo, mas agüentei a tortura da espera. Ouvia a sua respiração aflita. Até que seu lábio úmido e quente pousou entre meu nariz e meu lábio superior. No estreito espaço do meio. Seu perfume já me envolvia e seu calor tão perto me deixava aceso. Entre abri a boca e primeiro senti o roçar da sua barba rala no meu queixo, depois seu lábio entre o meu, se encaixando com sofreguidão, apertando as duas sensíveis carnes macias. Chupei seu lábio inferior e deixei que fizesse o mesmo, até que tomei o controle e inclinei a cabeça para o lado, dando-lhe um beijo de língua de verdade. Um magnetismo colou seu peito nu no meu. Guiei sua nuca com a mão e passei sensualmente minha língua na sua, deliciado com o tesão que provocava em mim.
Minhas mãos viradas para baixo espalmadas nas suas coxas se uniram no centro e o toquei na virilidade pétrea. Gemeu e se afastou com olhos verde de mata queimando no verão.Passou as mãos no cabelo, reagindo com medo do poder daquele beijo, do meu toque, da óbvia e parente ereção sobre seu jeans.
_Me deixe fazer isso sem que me toque._pediu.
Levantei apenas a sobrancelha e duvidei da sua intenção. Mas, a vida é um risco e o segui com os olhos até a cadeira, onde pegou a corda. Puxou-me até a beirada de uma antiga cama e amarrou minhas mãos atrás do meu corpo. Ele achava que se não o tocasse, seria ainda um hétero transando com um gay? Eu tinha paciência com seu sofrimento.
Sentei na cama e o vi desabotoar minha camisa. Cheirou meu peito, depois passou a boca pelo meu pescoço, me fazendo comprimir sua cabeça entre meu maxilar e meu ombro. Quando sua língua chupou o lóbulo da minha orelha arquei o corpo e gemi seu nome.
_Você me deixa louco..._disse-me beijando com tanta vontade que deu mordidas fortes, chupando, lambendo, usando a língua com tanta aptidão.
_Abre as minhas calças, Alex. Eu sei que você quer. Eu estou no cio, vem me encher do seu sêmen, vem, meu garanhão.
Ele riu e abriu a fivela. Quando o zíper e o botão lhe deram a visão do meu pau escapando da cueca, grunhiu de tesão e abaixou a cabeça. Mordi minha boca e revirei os olhos. Hesitou um tempo interminável, encostando minha glande nos lábios, chupou metade da cabeça comprimindo a boca ali com força, subindo e descendo no capacete do meu pau deliciosamente. Tomou gosto e foi introduzindo tudo, não babava, engolia a saliva e chupava muito bem para um iniciante. Eu não podia imaginar que seria dez vezes mais delicioso o sexo que fazia com meu membro do que sonhei.
Minha calça foi tirada e eu cai para trás, cansado de segurar aquele gozo eminente. Flexionei as pernas na beirada da cama e meu mestre de inseminação introduziu o seu dedo curioso e melado de saliva enquanto a boca voltava as sucções de bezerro com sede. Seu indicador entrou completamente e, então, o curvou como um gancho, tocando com a ponta a minha próstata que massageou deliciosamente. Urrei de prazer, explodindo de tesão quando encontrou meu ponto P e ali excitou e dedou muito gostoso.
_Alex, eu quero algo maior, coloca seu pau dentro de mim, vem, vem me comer..._pedi e pensei que teria que lutar mais contra a sua recusa, mas tirou o pau do zíper e sem abaixar muito a calça, encostou rápido no meu anel piscante. Levantei os calcanhares para trás e o deixei chegar lá, admirando seu rosto que experimentava a compressão do meu ânus justo nas paredes do seu pau. Tirou para cuspir mais um pouco na auréola e enfiou.
_Hummm, mete fundo._fiz uma careta, mas gostei muito da sua bombação anal perfeita, apertando a próstata e rodando circularmente seu mastro como uma manivela no meu rabinho. _Ohhh isso é muito bom... Eu quero mais... Vem... Mete mete...
Alex socou não mais por muito tempo, pois não agüentava também e se estremeceu em solavancos copiosos, esporrando na minha barriga junto comigo, segurando o seu pau e o meu com ambas as mãos, querendo controlar os nossos dois corpos e conseguindo. Uma poça de porra branca se formou sobre mim e quando abriu os olhos, ele despertou para a cena que via. Rezei pra que não começasse a se punir por ter encontrado tanto prazer.
Não quebrei aquele momento com nenhuma palavra. Depois de me desamarrar, fui até a pia do banheiro e limpei minha barriga. Sequei com uma toalha branca que estava empilhada e vesti meu jeans novamente, conforme ele também fizera. Alex escondia a sua sexualidade e eu fazia o mesmo (por ele). Engatinhei sobre a cama e deitei ao seu lado, vendo-o com o olhar vago e perdido.
_Deve estar confuso..._falei.
_Não, não estou. Eu nunca estive tão certo, tão seguro em toda a minha vida e isso foi totalmente...bom.
_Bom? Ok, eu estava amarrado.
Alex riu alto e fiquei aliviado. Era um sinal verde de que podia tocá-lo. Ousei puxar sua mão e pensei que só viria seu braço, mas o corpo todo juntou-se ao meu e me surpreendi. Aninhá-lo no meu peito foi tão íntimo que fechei os olhos. Nossas pernas se encaixaram e beijei seus cabelos e sua bochecha.
_O que vai fazer?_perguntou-me.
_Hei, não é porque sou o patrão que tenho que tomar todas as decisões._acariciei suas costas para relaxá-lo. _O que quer?
_Mesmo? Não quero mais ver o Pedro e a Ritinha e quando acabar o trabalho, eu quero ir para a casa Grande ficar com você, dormir assim ao seu lado. Eu não sei o que isso quer dizer sobre eu ser ou não gay, eu sei o que sinto, o que quero, essas são as minhas certezas. Eu não sei se quero que você me possua como agora, mas eu não quero ficar longe, eu quero te tocar e... te beijar.
_Eu acho que consegui entender._sorri._Trouxe comida para passarmos à noite aqui. Que acha? Mas... Pode não me amarrar da próxima vez?
Alex riu e levantou o queixo querendo um beijo que ganhou.
Teve seu pedido atendido e os dois partiram e deixaram a casa para nós. Alex ganhou a chave do carro, da casa, do meu quarto, da minha vida. E esta nunca esteve tão alegre e feliz. Passava de manhã pelo celeiro e lhe dava um gostoso beijo de bom trabalho, deixando promessas em seu ouvido para quando a noite chegasse.
[Fim]

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