“Interessadas”



Este conto está por volta dos meus 20 anos, que foi um dos melhores anos da minha vida! Após um término de namoro resolvi que eu tinha que fazer tudo aquilo que ainda não tinha feito, aquela era a hora de eu provar as coisas, me conhecer melhor.
(AVISO: se você leitor(a) está querendo sexo, nesse ainda não tem nada, sorry!)
Naquele ano eu estava no primeiro ano da universidade. Na minha sala tinha uma “entendida”, a “Samira”, que fui logo fazendo amizade. Até senti uma atração por ela, mas não rolou nada, ficamos só amigas mesmo.
Foi chegando próximo ao meio do ano, época que rola a Parada Gay, e ela já começou a se empolgar, fazendo planos de reunir as amigas dela para irem juntas. Eu até então nunca tinha ido à Parada Gay. Ela notou que eu estava neutra no assunto e me questionou se eu já havia ido...
- “Hum... não...”, respondi para ela.
- “Não?! Como não??? Para!!! Este ano estou marcando com as meninas de irmos no PlayGay e depois na Parada, vamos?”, disse a Samy.
O “PlayGay” era o dia em que o Playcenter dedica para o público GLBTS, geralmente acontecia no dia anterior à Parada Gay.
Não pensei duas vezes e aceitei o convite, eu só a tinha como amiga lésbica, precisava aumentar meu círculo de amizades. Ela me passou o horário e local para nos encontrarmos.
Chegando o dia, lá vou eu para a estação Palmeiras-Barra Funda cedinho, chegando uns 15 minutos de antecedência ao horário marcado. Como eu não sabia se daria tudo certo, fiquei esperando do lado de dentro da estação, sem passar a catraca.
Estou eu lá esperando próximo a um cantinho onde há alguns orelhões (telefone público), olhando para os lados para ver se encontrava alguém conhecido ou até mesmo se encontrava a Samy, foi então que vejo uma garota encostada de costas, tipo com os braços abertos se apoiando em um dos murinhos que rodeiam os locais das escadas rolantes, um dos que ficam de frente para a catraca, ainda do lado de dentro da estação. Ela era linda! Ela tinha os cabelos cumprido, quase no meio das costas, castanhos escuro ondulados para o liso, soltos, usava um óculos escuro tipo Rayban, brinco de argolas tamanho médio, uma regata branca, calça jeans com stretch, tênis no estilo All Stars, mas de outra marca, bem mais magra que eu, da minha altura e pele branca , mas daquelas que tomam sol! rs Aparentava ter por volta dos seus 19 anos.
Onde eu estava parada ficava de frente para ela. Eu usava naquele dia uma babylook verde escuro com uns detalhes em branco na gola, nas mangas e na barra, calça jeans preta com stretch, meu All Star preto, óculos normais, cabelos soltos, tinha repicado eles recentemente, mas ainda deixando os cumpridos, um pouco abaixo dos ombros, naquela época eu usava a cor natural deles, ou seja, castanho claro (a quem diga que são loiros, até ficam nas pontas, mas tá tá), estava uma graça por debaixo de um boné preto da Adidas lá da 25! rs E também estava com uma mochilinha com algumas peças de roupa para o dia seguinte, já que do Playcenter iria para a casa da Samy e da casa dela iríamos para a Parada Gay.
Estava eu lá, parada tipo sapatão (sabe quando se põe as mãos dentro do bolso da calça, só que aí se tira os dedos e deixa apenas os polegares no bolso? Estava assim...), medindo a garota, já querendo ter visão de raio-x para ver como era o corpo da guria, e ela olhava para os lados, devia estar esperando alguém também e depois ela olhava para algum lugar na minha direção, mas não conseguia saber para onde era, já que os óculos escuros não deixavam eu ver seus olhos.
Eu nunca sou de encarar as pessoas, eu olho, mas logo desvio o olhar, mas não sei o que foi, ela era muito linda, nem me toquei que olhava pros lados só quando alguém estava para passar e voltava a olhá-la. Foi então que ela levantou os óculos, sem tirá-los, deixando-o tipo tiara, e olhou na minha direção. Eu sou muito insegura, logo dei uma disfarçada e olhei para trás de mim, pra ver pra quem ela estava olhando, mas atrás de mim só tinha os orelhões e uma parede da lateral de uma das lojinhas que há na estação. Quando olhei de volta para ela, ela estava sorrindo, achando graça por eu ter olhado para trás e consegui ler em seus lábios um “Estou olhando pra você!”, enquanto ela fez sinal com dois dedos da mão direita, apontando para os seus olhos e depois para mim. Eu disse um “Pra mim?” apenas movendo os lábios e erguendo as sobrancelhas, apontando para o meu peito. Ela fez um “Sim” com a cabeça e sorriu em seguida. Eu óbvio que fiquei sem graça, sorri de volta, já ficando com as bochechas rosadas, e mexi em um quase cacho do meu cabelo, que estava se formando na parte do meu cabelo que ficou solto para frente do meu ombro direito.
Ela então se desencostou do muro, impulsionando o corpo para frente, olhou para os dois lados como quem olha para atravessar a rua e começou a andar em minha direção. Nessa hora meu coração acelerou, já fui pensando “E agora, o que eu falo pra ela?”, porém nesses poucos segundos subiu da escada rolante uma garota vestida de calça jeans capri preta, uma babylook branca com uns desenhos na frente, um tênis da Nike, boné cor creme, óculos escuro modelo qualquer um, cabelos escuros e também na altura do ombro, era um pouco mais gordinha que eu e um dedo mais baixa, e chegou por trás da garota, agarrando-a pela cintura, surpreendendo-a. Ela se virou para a outra, que de imediato lhe deu um beijo na boca. Só ai que vi que a garota linda tinha aliança na mão direita... que merda... tinha que ter namorada? E logo essa daí?!
Mesmo a distância, deu pra entender que a outra perguntou para onde a garota linda estava indo, que respondeu “Chuchu, ia te ligar!”, apontando para os orelhões. A outra falou qualquer coisa rápido, apontando para fora da estação, e lá foram rumo a direção que a outra apontou.
Assim que começaram a andar, a garota linda até me deu uma última olhadinha de lado e voltou a olhar para frente, andando com a outra que a segurava pela cintura.
Se passaram 5 minutos do horário combinado e minha amiga Samy apareceu, subindo pela mesma escada que a garota da capri subiu, junto com outra garota. Logo me viu, nos cumprimentamos, ela me apresentou para a outra garota, que era uma amiga de infância, chamada “Lais”, e em seguida ela me disse que marcou com as outras garotas do lado de fora da estação. Lá fomos nós. Para a minha surpresa, ela começou a andar na direção de um grupo de garotas, o grupo em que a garota linda e a zuada estavam e foi logo me apresentando para elas e vice versa.
Ela então apresentou a garota zuada como sua amiga de balada, a “Natália”. Ela por sua vez me apresentou a sua namorada, a “Jeniffer”, que logo me cumprimentou com um beijo no rosto e sorrindo disse “Oi, neném!”. Eu achei que a namorada dela iria estranhar a forma que ela falou comigo, mas logo percebi que ela chamava todo mundo de “neném”. Das garotas apresentadas só memorizei os nomes da “Nathy”, da “Neném” e da “Lais” de imediato; fui aprendendo os nomes das outras durante o dia.
Ok. Blá blá blá, dia no parque, um monte de gays, lésbicas de todos os tipos, muita cerveja, música eletrônica, adrenalina dos brinquedos, várias garotas lindas dançando Psy... ai ai... a “Neném” dançando... ela fazia uns passinhos, dava umas quebradinhas da cintura conforme a batida... ui... durante o dia ela ficou usando o boné da namorada e garanto que ficou bem melhor nela!!! rs
Teve um momento do dia que três das outras amigas da Samy resolveram fazer uma corrida pra ver quem beijava mais garotas no parque, daí me distraí dois segundos e do nada senti um par de mãos segurando meu rosto e me puxando para um beijo. Uma das três me agarrou num beijo, saindo de um selinho curto para um beijo de língua, mesmo eu estando com a “Neném” na cabeça eu retribui ao beijo. Engraçado foi quando nós terminamos, ela levantou os braços e contou “Uma!!!”!
Nisso eu sorri de sem graça, olhei pra cara dela e disse “Me sinto usada agora!”, já rindo.
- “Chuchu, relaxa, te escolhi pra ser a primeira!”, ela disse olhando nos meus olhos e sorrindo.
Então as outras duas fizeram objeções pela “largada” da corrida, parece que uma das regras era que tinha que ser uma garota estranha, a garota até se defendeu dizendo que não me conhecia, e de fato eu não me lembro dela na estação, nem sei o nome dela (acho que até soube no dia, após o beijo, mas agora tá osso de lembrar!).
Enfim, não conseguiram anular a contagem da guria e saíram à caçada! rs
A “Neném” presenciou a cena toda, estava achando super hilário aquilo tudo. Eu notei que ela estava rindo do acontecido, fiz um “O que foi isso?” com as mãos, ela só disse “Ela é doida assim mesmo!” em resposta e depois veio em minha direção fazendo passinhos de Psy. Ela parou na minha frente, fez a quebradinha da cintura e me entregou a latinha de cerveja que estava bebendo para eu dar um gole. Até me recusei na hora, dizendo que eu não bebia, mas ela insistiu, dizendo que só precisava de um gole. Fiquei meio sem entender, mas beleza, dei um gole na cerveja e devolvi a latinha para ela. Ela então fez um beijo no bocal da lata, começando com uma lambida e depois fechando a boca para dar um gole... nossa... nunca achei que eu me excitaria com algo assim...
Ela então passou a dançar em volta de mim, arrisquei uns passinhos com ela, em uma das paradinhas ela deu uma pegadinha de leve na minha cintura, dei uma contraída prendendo a respiração... ela veio se aproximando, chegou bem pertinho, senti o toque do seu rosto no meu, nossas bocas prontas para receberem um beijo, mas logo soltou um “AAAhhhh” do tipo “que merda”, se puxando para o outro lado segurando com a mão livre a aba do boné. Entendi que ela também se negava querer me beijar naquela hora, seja pelo fato da namorada estar ali por perto, seja pelo monte de testemunhas caso acontecesse, enfim, ela estava me querendo assim como eu a queria.
Já na tardezinha, começo de noite, a Samy conheceu uma guria, até que bonita, mas não fazia meu tipo. As duas foram conversando, depois de um tempo se beijando... conforme foi entrando a noite, as duas já estavam meio altas da bebida, estavam quase se comendo no meio de todo mundo... enfim, naquela pegação toda, eu ser a “empata foda” seria cruel.
Ficamos, todas as gurias que encontramos cedo na estação, até a hora do parque fechar, praticamente nós fechamos o parque e as loucas dançando com os tiozinhos da limpeza que dançaram Psy com as vassouras no embalo delas! rs
Já no último ônibus do parque que nos levaria para o metrô, chegou a hora de decidir se eu iria para a casa dela ou voltaria para a minha casa. A Samy estava beirando ao ir para a casa da garota da pegação, mas estava toda sem graça de ter que decidir isso, pelo que havíamos combinado antes. A “Neném” notou o que estava acontecendo, já que ela era amiga da outra, a da pegação, e elas moravam na mesma rua. Foi então que ela propôs para a Samy de que ela podia ir para a casa da outra guria e eu podia ficar na casa dela e no dia seguinte iríamos as quatro encontrar as outras na Parada Gay. A Samy se voltou para mim, perguntando se eu concordava com a sugestão, eu olhei para a “Neném” querendo perguntar o que a namorada dela acharia disso, mas ela era muito ligeira... durante o dia todo ela foi “calibrando” a namorada, pra quando fosse a noite ela não estar em condições de nada, só de voltar para a casa dela e dormir o resto da noite. Antes de eu abrir a boca pra falar algo, a “Neném” respondeu meus pensamentos dizendo que a Nathy iria para a casa dela, que ficava no caminho de sua casa, e que sua casa tinha um quarto de hospedes e sua mãe servia muito bem de vigia para a sua filhinha não perder seu “selinho de virgindade”! rs (isso era o que a mãe dela achava que a filha ainda tinha! rs).
Pois bem, então vamos!
No caminho o grupo foi se dispersando, cada uma para suas casas, até que nos dividimos só entre nós cinco. Nem lembro qual a estação, mas saímos nós cinco para acompanhar a Nathy até o ponto de ônibus que ficava do lado da estação. As duas namoradas se despediram, a Nathy subiu no ônibus, demos orientação para o cobrador de que ela desceria no ponto final e que se ele podia avisá-la, caso estivesse dormindo quando eles chegassem. O carinha foi super simpático, parecia já conhecer a Nathy, já aliviou bastante meu peso na consciência!
Voltamos as quatro para a estação para continuar nosso caminho. Já no vagão do metrô, que naquela hora estava quase vazio, com apenas nós quatro e uns dois gatos pingados se catando, a Samy e a peguete estavam se comendo no banco do lado, então a “Neném” e eu nos mudamos de banco para não presenciar aquilo! rs
A “Neném” se sentou bem juntinho de mim, eu do lado da janela que ficou a minha direita, então ela pegou minha mão esquerda, virou a palma para cima e começou a contornar as linhas da minha mão com as pontinhas dos dedos.
Eu estava pensando em como perguntar para ela de como era a relação dela com a Nathy, então ela começou a falar em resposta ao meu pensamento (ela deve ter um dom tipo Edward Cullen!):
- “Meu namoro com a Nathy já não é como antes, sabe... a Nathy me traído um tempo atrás com uma ridícula cheia dos furos (piercing) e... eu achei que havia superado isso, sabe, mas não... eu amava muito a Nathy... hoje eu sinto apenas carinho... não tenho coragem de terminar... é complicado... eu... eu não sinto vontade de beijá-la, não sentia vontade de beijar mais nenhuma... até hoje... (nisso ela olhou em meus olhos, revezando entre olhos e minha boca, e voltou a olhar para as linhas da minha mão)... não faço sexo com ela já a algumas semanas... se fosse antes, eu levaria a Nathy lá pra casa e ficaríamos transando até amanhã... até estou com vontade... não com ela...“.
Pensa em alguém sem saber o que responder! Eu apenas sorri tímida e retribuí o carinho na mão.
Enfim chegamos à estação que desceríamos. Chamamos as duas e fomos pegar um ônibus. Elas moravam perto do metrô, uns 15 minutos andando da estação, mas preferiram o ônibus, pois era perigoso a região naquela hora da noite.
Blá blá blá, Samy e Angela (peguete) prum lado, “Neném” e eu pra casa dela.
(CONTINUA)

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