Noite inesperada



A noite estava quente, quente até de mais, mas em casa eu não queria ficar. Sempre saíamos aos sábados, e sempre pro mesmo lugar, o bar do Luca. Ficava de frente a praia e estava sempre cheio, o lugar era muito bem frequentado, gente bonita, jovem, divertida, prato cheio pro final de semana. Por volta das oito ouvi o celular tocar, não precisei olhar no visor já sabia que era a Paula e já estava me esperando na portaria, me olhei no espelho pra finalizar a maquiagem e resolvi prender os cabelos, naquele calor não dava pra ficarem soltos. Coloquei minhas havaianas brancas pra combinar com a minha regata Vermelha e o shortinho jeans também branco, me olhei outra vez no espelho e ajeitei uma mecha de cabelo que caia no rosto, peguei meu cartão de banco alcancei meu celular na cama e desci voando...
Assim que entrei no carro Paula reclamou.
- Nossa que demora.
- Desculpa amiga dormi um pouquinho á mais a tarde. - Dei um beijo no rosto dela.
- Nossa tá cheirosa heim... Tá querendo impressionar?
- Corta essa Paula, não posso ficar cheirosa mais não? Falar nisso cadê a cheirosa da sua mulher?
- A Tarine vai encontrar agente lá, ficou enrolando como sempre e eu vim na frente pra pegar mesa.
- Aquela lá não tem jeito não Paulinha...
Depois de estacionar entramos tentando achar uma mesa do meio de tanta gente... O garçom, já conhecia agente e encontrou uma mesa rapidinho, não demorou muito e as meninas foram chegando, Tarine como sempre foi a ultima, assim que chegou deu um beijo no rosto da Paula e sentou ao lado dela. Pedimos bebidas e a Marcela foi logo fazendo graça, aquela ali não podia beber uma que começava com a palhaçada. No meio daquela gente toda parecia impossível, mas um rosto me chamou a atenção, uma garota na mesa de frente a minha parecia se divertir, até demais. O sorriso era largo e branquinho, tudo nela parecia irradiar felicidade, foi quando nossos olhares se cruzaram, não sei bem explicar o que eu senti naquela hora, mas meu coração disparou, desviei os olhos tentando entender aquilo. Paula começou a conversar comigo e vez ou outra eu procurava aquele olhar no meio da multidão. Sempre que a via estava sorrindo, brincando, bebendo, era linda demais, sexy demais, e aqueles olhos... Dali pareciam negros, mas talvez fossem castanho escuros, e aqueles lábios... E se eu me afogasse naquela boca... E se eu desfalecesse em meio aqueles cabelos negros que agora presos, mas depois, soltos, entre os meus dedos, colando nos nossos corpos soados... Sorri com o pensamento.
- Tá rindo de que?
Acho que a minha cara naquele momento era de paspalha, olhando pro nada e ainda sorrindo bobamente...
- Nada não... - Tentei me recompor, talvez já estivesse na temperatura certa... ou errada.
- Hoje tá cheio né?
- É... - Intercalava o olhar entre Paula e a Morena.
- Muita gente bonita né?
- É... - Me prolonguei de mais no "É" e por isso me entreguei.
- Tá olhando o que? - Procurou. - Ou quem? - Fez uma cara nada inocente.
- Admirando o movimento. - Retruquei com o mesmo olhar.
- Viu algum gatinho? Ou... quem sabe... uma gatinha... - Manteve o ar cínico.
- Já disse que não fico mais com mulher. - Tentei me convencer.
- Olhar não faz mal a ninguém... Vai... diz quem é?
- A morena de cabelo preso.
- Tem só umas oitenta aqui assim...
- Ai Paula pelo amor de Deus... Não ta vendo... aquela ali oh... naquela mesa... sorrindo... - Disfarcei olhando pro outro lado.
- Aquela que tá olhando pra gente?
Levei um susto quando parei de disfarçar e vi aqueles olhos me encarando... acho que fiquei muito sem graça, afinal não foi qualquer encarada, ela estava rindo de alguma coisa e quando me olhou ainda sustentava o sorriso, me analisou inteira, parecia que o fato de eu estar sentada não a impedia de me devorar com aqueles olhos famintos. Até aquele momento eu me achava a dona da situação, olhava, observava, encarava, mas depois de me olhar daquele jeito perdi o controle, virei a caipirinha de uma só vez tentando recuperar a temperatura ideal, em vão, o calor desceu, subiu, se instalou entre minhas pernas. Quando vi o garçom pedi mais uma, virei a cadeira de frente pra Paula decidindo definitivamente não olhar mais.
- Nossa, que foi aquilo?. - Começou a rir.
- Do que você tá rindo? Ela vai perceber. - Paula revirou os olhos e bebeu um gole do chopp.
- “Não fico mais com mulher”? - Riu alto, todo mundo da mesa parou de conversar e olhou pra gente.
- Tá tudo bem ai meu amor? - Tarine sorriu sem entender.
- Tá sim, só a Jenyffer que tá dando uma de... - Tapei a boca dela.
- Não é nada Tarine, agente só tava brincando aqui. - Falei pra Tarine e logo me virei pra Paula falando baixinho. - Não me entrega.
Olhei disfarçadamente pra mesa em que a morena estava e vi que não estava olhando, conversei mais um pouco com as meninas na mesa e resisti até o ultimo segundo, até que ela passou pela nossa mesa indo pro balcão do bar e se sentou, pude vê-la melhor, estava com uma calça azul claro colada ao corpo realçando suas belas formas, quase cai da cadeira, a regata amarela fazia um contaste perfeito com a cor morena. Quando sentou me olhou de novo daquele jeito, tava na cara que estava se divertindo, não a conhecia, mas com certeza cínica era seu sobrenome e confesso que tava adorando.
Sentada no bar ela não parava de me encarar, eu já estava pra lá de sem graça, como alguém consegue ser tão direta? Não sei, mas era divertido demais, aquele joguinho, era excitante demais, envolvente demais, decidi que iria jogar da mesma forma. Me levantei e fui até o bar sem dar muitas explicações à Paula, me sentei um pouco mais afastada pedindo um drinque mais leve.
Não acreditei que estava ali, até vê-la se aproximar, sentou do meu lado e ficou me olhando nos olhos.
- Qual teu nome? - Sotaque baiano, e aquele sorriso delicioso nos lábios
- Jenyffer – Tentei falar da forma mais sexy possível, nossa que ridículo, eu tava engrossando a voz pra que mesmo?
- Deixa comigo. - empurrou a comanda em direção ao garçom sem desgrudar os olhos dos meus. - O mesmo pra mim.
- E o seu?
- Giovana. - A voz era arrastada, melódica, me apaixonei!
Ela me olhava de um jeito e eu não conseguia sequer desgrudar os olhos daquela boca carnuda e convidativa, os lábios rosados se entreabriram se movimentaram pra dizer algo que eu não ouvi, voltei ao meu estado normal e fiz cara de quem não tinha entendido bulhufas do que ela disse.
- Perguntei se é daqui. - Repetiu com aquele sorriso, será que essa garota não para de sorrir, não vou resistir muito tempo.
- Sou sim, mas você não é...
- Como sabe?
- Sotaque.
- Não gosta? - De novo aquele olhar.
- Adoro. - Sorri mergulhando naqueles olhos.
Ninguém disse mais nada, o silêncio falava por nós, eu estava na dela isso era fato, mas e aquela história de que não fico mais com mulheres? Já esqueci.. E daí, ela valia a pena. Logo a musica no andar de cima começou, já era hora de abrir a boate, a musica eletrônica começou bem animada e o pessoal começou a subir.
- É... parece que vai ficar vazio aqui... - Me puxou delicadamente pelo braço. - Vamos?
Nossa que gostoso aquele contato... Aquilo era mesmo uma pergunta? Porque eu não estava em posição de recusar, nem queria.
- Tá ótimo aqui, vem dançar...- Levantou a sobrancelha e de novo aquele olhar... Ela não cansava?
Será que eu tava sendo fácil? Que se dane ela já estava se mexendo tão... tão sensualmente... babei... no começo fiquei meio sem graça, nem se importou com os olhares curiosos quando colocou a mão na minha cintura descendo até o chão na minha frente sem desgrudar os olhos dos meus. Fui me soltando, deixando a bebida tomar conta, tomei tudo em um só gole, mais uma vez aquele olhar... Ai eu vou desmaiar, colou nossos corpos e segurou minha cintura me puxando pra mais perto, como se fosse possível, dancei do mesmo jeito, rebolando, descendo, encarando aqueles olhos em chamas, me virou de costas e dançamos juntas no ritmo da musica, aliás, nem sabia que musica, era nosso ritmo, inclinei a cabeça pra trás e logo senti que encostou o nariz no meu pescoço, me arrepiei toda, encostou os lábios, tremi por inteiro, apertou ainda mais a mão na minha cintura, cochichou algo no meu ouvido que não entendi, mas aquele ar quente me derreteu. Não dava pra negar, estava entregue e dali em diante seria o que ela quisesse, me virou de frente, encarei os olhos e estavam mais escuros, enigmáticos, possessivos, aproximou o rosto do meu para dizer algo que mais uma vez não ouvi, não desviou o contato, demorou mais que o necessário, deslizou os lábios pela minha bochecha, o beijo quase veio, mas pra minha decepção não aconteceu, brincou assim por mais algumas infinitas vezes, até que se apossou dos meus lábios, chupando, mordendo, passando de leve a língua por eles, fazendo os se entreabrirem e tocou minha língua com a sua, possessivamente, começou de leve, acariciando e logo se tornou urgente, parecia que iria me engolir toda, era deliciosa aquela boca, como eu imagina, não, melhor do que eu imaginava, puxou meu corpo pra mais perto me apertando, me acariciando, segurou minha nuca com força, queria me tomar toda ali mesmo, lembrei que estávamos em público e me desvencilhei daquele contato, quando abri os olhos vi os dela tomados por desejo, ela me olhava ainda mais intenso, me comia com os olhos, dançar se tornou uma tortura, meu corpo estava em chamas, já estava completamente molhada, mole, sem forças pra sair correndo dali. Puxei ela pela mão e sai de perto daqueles curiosos, estava rindo muito e por nada, talvez fosse a bebida, ou aquele beijo, pensaria nisso depois, agora só queria ser tocada e tocar aquele corpo, me encostei na parede e a puxei pra cima de mim.
Prensou meu corpo contra a parede e beijou meu pescoço, mordeu de leve, passou a língua e eu já quase não me aguentava em pé. Segurei sua cintura puxando a pra mais perto indicando que eu queria mais, muito mais. Estava escuro ali naquele canto, ninguém ia ver muita coisa, mas estava meio apreensiva. Ela continuava a exploração pelo pescoço e logo desceu um pouco mais até meu colo, sentiu o cheiro, e parecia ter gostado pois o modo como sorriu me estremeceu por inteiro. Eu já não suportava ficar sem aquela boca, puxei seu rosto pra mais perto e beijei, mordi, chupei aqueles lábios doces e macios, sentia suas mãos invadirem minha blusa acariciando minhas costas ao mesmo tempo que me puxava pra mais perto, logo sua mão se apossou de minhas nádegas e apertou, acariciou, como se fosse dela há muito tempo usou e abusou passando a mão em quase tudo. Não por muito tempo, logo senti minha perna sendo levantada até a altura de sua cintura e a outra mão passeando por caminhos proibidos. Quando me tocou entre as pernas quase desfaleci, como eu podia ser tão entregue, tão fácil, ah que se dane, estava bom demais. Enquanto beijava meu pescoço e sussurrava indecências no meu ouvido me levou ao ápice da loucura, se eu estava apreensiva quanto ao lugar ser publico, depois daquilo eu já nem sabia mais onde estava, apenas com quem estava e isso por hora bastava. Seus dedos ágeis desabotoaram meu short e se posicionaram dentro dele, não demorei muito pra sentir os dedos deslizarem pelo meu sexo totalmente encharcado.
Tá toda molhada, que delicia. - Sussurrou ofegante.
Não disse nada, apenas gemi, foi involuntário, mas libertador, parecia que permanecer calada só limitava o meu prazer. Não sei se perdi o equilíbrio, mas assim que aqueles dedos invadiram minha calcinha e tocaram meu sexo eu pensei ter quase caido, quase, porque aqueles braços firmes me seguraram e me prenderam ainda mais naquele torpor, os dedos sem controle no meu intimo me deixou descontrolada, eu abria ainda mais as pernas esperando um contato maior, queria ela dentro de mim, me possuindo, me arrancando daquela agonia, mas parecia que o que ela queria era torturar. Comecei a rebolar forçando um contato mais intenso, tentei de todas as formas fazê-la entender minha necessidade, mas nada adiantou, ficou brincando, acariciando, ora mais rápido, ora mais devagar, pura tortura, não aguentei pedi logo.
- Me come por favor. - Saiu mais como um gemido.
- É isso que quer? - Perguntou provocante.
- É – A voz quase não saiu.
- Pede.
- Me come.
- Pede de novo.
- Enfia esses dedos logo se não quiser que eu morra aqui mesmo.
O sorriso provocante e vitorioso que ela exibiu foi mais um incentivo pra minha excitação, eu mal conseguia respirar, queria ser possuída, tomada, saciada. Meu pedido não demorou pra ser atendido, senti aqueles dedos ágeis me penetrando pouco a pouco, centímetro por centímetro, quando colocou tudo empurrou um pouco mais pressionando com o corpo, não segurei o gemido que veio longo e ofegante, eles começaram a se movimentarem, saindo, entrando, saindo, entrando, primeiro devagar, depois mais rápido, mais forte, mais intenso, eu não me controlava mais, rebolava, abria a pernas, falava coisas sem sentido no seu ouvido, me segurava em seu corpo e a puxava pra mais perto.
- Me come. - Gemi demoradamente. - Isso assim. - Ela estremeceu toda, pude sentir.
Quando sentiu que estava próximo do fim diminuiu as estocadas, mais devagar, mais fundo, puxou minha perna que estava na altura da cintura pra mais perto colando ainda mais nossos corpos, aumentou de novo o ritmo e eu me entreguei, me entreguei de vez, sem me preocupar com nada, senti o orgasmo arrebatador, possuidor, estremecedor, minhas pernas bambearam, de novo aqueles braços me pegaram, senti aquele cheiro de sexo quando ela tirou o dedos e os chupou demoradamente sentindo o meu gosto olhando o tempo todo nos meus olhos, beijou minha boca de um jeito intenso, sentir meu gosto na sua boca foi anestesiante, chupou minha língua e se afastou um pouco enquanto eu abotoava meu short. Arrumei minha roupa no corpo, alinhei os cabelos dei um selinho em seus lábios e disse que iria ao toalete.
- Vou pegar uma bebida, quer alguma coisa? - Ela parecia não ter sido abalada, eu estava completamente atordoada com aquelas emoções e ela pareceu tão fria e calculista.
- Pode ser. - Respondi sem muita enfase, ainda estava meio tonta, sem saber se pela bebida ou pelo sexo delicioso.
Assim que entrei no banheiro lavei as mãos e o rosto, ouvi a voz da Paula e da Tarine que entraram no banheiro.
- Nossa, você está ai? Por onde se meteu?
- Por ai. - Fiz uma cara que me entregou.
- Não precisa nem dizer...
- Eu perdi alguma coisa? - Tarine sempre desligada.
- Amor, é coisa da Jeny, depois ela nos conta, não é? - Esse não é foi bem direto, eu teria que contar tudo no dia seguinte, detalhes, sórdido, eu que a aguardasse.
Me despedi das meninas dizendo que voltaria de taxi e agradeci pela companhia. Assim que sai do banheiro ela veio ao meu encontro, aproximou o nariz do meu pescoço e aspirou meu cheiro.
- Adoro seu cheiro. - Sussurrou.
- Coffee. - Sorri.
- Vamos sair daqui? - Eu nem precisei responder, terminamos a bebida e saímos.
O resto da história fica pra imaginação. Mas garanto que foi ótimo.

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