E Se... Eu e Você...-2




Amores da minha vida... segue mais um capítulo... espero que gostem. ;D
Gostaria de agradecer a todos que deixaram comentarios e elogiaram a minha historia... vcs são uns amores. o_____o
Leitores fantasmas, por favor se manifestem, pois a escritora aqui tem medo de alma penada... rs
Boa leitura.
Não importa se você o ama, ou O ama
Coloque suas patas pra cima
Porque você nasceu assim, baby
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Uma semana após o falecimento da sua irmã, Ian estava finalmente voltando pra casa com o seu sobrinho. Felizmente a papelada da guarda do Lucas ficou pronta rápido, já que a irmã e o cunhado foram bem claros no testamento sobre o futuro do filho.
Ian suspirou aliviado por finalmente estar em casa e poder terminar a edição da monografia que seria defendida em uma semana.
– Chegamos. – Ele disse ao Lucas que continuava com a cara muito abatida, demonstrando sinal de quem não dormia e não comia direito há uma semana.
O garoto não disse nada, apenas observou a pequena sala do apartamento do tio. Ele estava se sentindo perdido e sozinho. Por mais que gostasse do tio, não era ali que ele gostaria de estar, ele queria voltar para casa dele, para os seus pais, os seus amigos e a sua namorada, mas ele sabia que isso era impossível, pois os seus pais não iriam voltar pra ele. Nunca mais.
– Venha, vou te mostrar o seu quarto. Espero que goste.
Ian disse isso enquanto caminhava por um corredor, sendo seguido pelo seu sobrinho que parecia estar em outro planeta de tão distante que estava.
– Se você não gostar, podemos fazer algumas modificações. – Disse isso ao abrir a porta e fazer um gesto com a cabeça para que o garoto entrasse.
– Não precisa mudar nada. Eu gostei, é bem bonito.
– Ok! Pode colocar as suas coisas nesse armário. Na parte de cima tem toalhas, travesseiro e cobertores. – Foi dizendo isso enquanto caminhava até uma porta que ficava na parede ao lado do armário, abrindo-a e revelando um banheiro não muito grande, mas bonito e muito limpo. – Tem sabonete e creme dental no armário do banheiro, não sei se tem shampoo e condicionador, mas caso não tenha é só pedir para Maria comprar para você mais tarde, eu sempre deixo dinheiro com ela para comprar o que estiver faltando, ela já deve estar chegando.
– Não precisa se preocupar, eu trouxe o meu.
– Bom! Eu vou tomar um banho e depois vou ver o que temos para o café da manhã. Fique a vontade, esse apartamento agora também é seu.
Lucas não disse nada, apenas fez um aceno de cabeça enquanto sentava na cama. Quando se viu sozinho no seu novo quarto, se deitou na cama e chorou baixinho. Não queria que o seu tio o ouvisse chorando, não precisava da pena dele ou de quem quer que fosse.
Alguns minutos depois ele resolveu tomar um banho também, trocar de roupa e quem sabe dormir um pouco, se os pesadelos deixasse, ou melhor dizendo, “o” pesadelo.
O ar quente entrava pela fresta da porta de vidro entreaberta que dava acesso a pequena e aconchegante varanda, enquanto o sol banhava a sua cama, aquecendo o seu coração que parecia ter se transformado em gelo. Ele sempre fora apaixonado pelo verão e a primavera e olhar pela varanda do seu quarto e poder ver a bela paisagem do mar, distante, mas nem por isso deixando de mostrar a sua imensidão, enchia o seu corpo e alma de esperança. Esperança de que um dia ele conseguisse voltar a ser feliz.
Deitou-se na cama e fechou os olhos, na esperança de conseguir dormir um pouco, mas assim que sentiu o colchão macio no seu dorso, ouviu uma leve batida na porta.
– Entre.
– Oi! O café da manhã está pronto. A Maria fez bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro e coco, sua especialidade.
– Eu não estou com fome.
– Lucas. Olha, eu sei que você está sofrendo, eu também estou, mas você precisa se alimentar. Por favor, faça um esforço. Pelo menos tome uma vitamina e coma um pedaço de bolo.
– Eu...
– Por favor... Eu já perdi a minha irmã... Não quero perder o meu sobrinho também. Se você continuar sem comer, vai acabar adoecendo.
– Um pedaço bem pequeno. – Disse enquanto olhava o tio.
– Tudo bem. – respondeu dando um largo sorriso para o sobrinho.
Lucas olhou maravilhado para o sorriso do tio. Nunca tinha reparado antes em como ele era bonito. Talvez seja porque nunca foi muito de ficar observando homens, mesmo eles sendo seus tios. Mas agora, olhando o seu tio com um sorriso bobo no rosto só porque ele aceitou comer um pedaço de bolo para não acabar parando na emergência de um hospital, só agora percebeu o quanto ele era bonito e atraente, com os seus quase 1,90m de altura, pôde observar os seus braços fortes e seu abdome sarado através da camiseta branca e de mangas curtas, a pele tinha um leve bronzeado, provavelmente por passar tanto tempo na praia, cabelos lisos e castanho escuro, caindo sobre os olhos o tempo todo de uma maneira rebelde, os olhos tão verdes que mais pareciam duas esmeraldas. Realmente, ele deveria fazer muito sucesso entre as mulheres.
– O Daniel me ligou ontem e disse que a Carla já está vendo uma escola para você aqui perto, é uma ótima escola e se você quiser, pode ir até mesmo andando. – Ian disse enquanto tomavam o café da manhã.
– Hum... – Respondeu sem entusiasmo algum.
– Bom dia!
– Bom dia Maria!
– Bom dia. – Respondeu o Lucas, sem muita animação, afinal de bom o seu dia não tinha nada. Pelo contrário, não poderia estar sendo pior. Odiava o destino que Deus lhe deu e tinha vontade de gritar isso para todo mundo ouvir. Mas não o fez, afinal, não iria ganhar nada sendo grosseiro, isso sem falar que agora estava morando de favor na casa do seu tio.
– Eu pensei que você fosse chegar só mais tarde. Se soubesse que iria chegar tão cedo eu teria vindo mais cedo.
– Está tudo bem Maria, não tem problema, eu já me virei com o café da manhã. A propósito, obrigada pelo bolo, está maravilhoso, como sempre.
– Foi um prazer chefinho. – Respondeu rindo. Ela sabia que o Ian não gostava quando ela o chamava assim. Mas logo em seguida ficou séria. – Eu sinto muito pela sua mãe. – Disse olhando na direção do Lucas que estava brincando com a fatia de bolo em seu prato, sem a menor vontade comê-lo.
– Obrigada. – Foi tudo que conseguiu proferir, pois já sentia o coração doer novamente e os olhos arderem. – Eu acho que vou dormir um pouco. – Disse enquanto se levantava.
Os dois adultos apenas o observaram se afastar, sem nada dizer, pois sabiam que ele estava sofrendo e nada do que falassem ou fizesse iria mudar isso.
– Ele ainda está muito triste né?!
– Sim. Ele sempre foi muito apegado aos pais, sempre teve um ótimo relacionamento com eles. Com certeza ele é o que mais está sofrendo. – Ele voltou o seu olhar para a mulher de aproximadamente 30 anos, encostada no fogão e completou. – A Bia sempre foi uma mãe pra mim, desde a morte dos meus pais. Eu nunca sofri tanto em toda minha vida com a perda de alguém. Daí eu fico pensando, se pra mim está sendo tão difícil, imagine como não deve estar sendo pra ele?!
Era uma pergunta retórica, mas mesmo assim a Maria respondeu.
– Provavelmente ele está sentindo a pior dor da sua vida, a maior perda que poderia ter. Ele vai precisar de você muito mais do que você pode imaginar Ian.
– Eu sei, afinal, eu já estive no lugar dele um dia. Com a diferença que eu tinha os meus irmãos pra cuidarem de mim e me consolarem, para me dar força. Ele não tem irmãos. Eu, Dan e os filhos do Dan com a Carla somos a sua única família agora.
Alguns minutos depois Ian saiu da cozinha e foi em direção ao seu quarto para dormir um pouco também, estava cansado da viagem e por isso iria descansar um pouco antes de voltar a trabalhar na sua monografia. Só tinha estágio no dia seguinte, o que lhe dava algumas horas de descanso antes de voltar à luta.
Ao passar pela porta do quarto do seu sobrinho resolveu verificar se ele estava bem, bateu de leve na porta, mas não obteve resposta, abriu-a lentamente para não acordá-lo, o mesmo estava encolhido na cama, com uma foto dos pais entre as mãos, o seu corpo estava molhado de suor, o cabelo todo desgrenhado e colado na face rosada devido ao calor, a boca entreaberta e a respiração pesada. Usava um short pequeno e uma camiseta folgada, mas mesmo assim, Ian não pôde deixar de notar a beleza do sobrinho. O garoto tinha um corpo de estatura média, não ultrapassando 1,60m de altura, magro, mas não esquelético, cabelos lisos e castanhos, parecido com os seus, os belos olhos verdes estavam escondidos pelas pálpebras, a boca de lábios carnudos tinha uma tonalidade rosada, o que o deixavam muito sexy. “Merda. Porque estou pensando essas coisas? Ele é homem e ainda por cima meu sobrinho e, menor de idade.” Pensou Ian enquanto caminhava até a porta de vidro que dava acesso a pequena varanda, fechando-a, em seguida foi até o ar condicionado e o ligou, pegou um edredom e colocou ao lado do corpo do seu sobrinho e em seguida saiu do quarto. Também precisava descansar, pois o dia seguinte seria no mínimo muito cansativo.
Algumas horas depois Ian acordara e estava na frente do seu notebook terminando de editar a sua monografia, quando ouviu o telefone tocar. Era o seu irmão do outro lado da linha.
– Alô.
– Oi Ian. Chegaram bem?
– Sim.
– Como ele está? – Não precisava dizer o nome. Ian sabia perfeitamente sobre quem o seu irmão perguntava.
– Nesse momento está dormindo. Ele não tem se alimentado muito bem ultimamente e parece que também está com problemas de insônia. Estou preocupado Dan.
– Eu e a Carla estávamos pensando em ir aí hoje à noite. Podemos fazer a famosa macarronada da Carla para o jantar e quem sabe as crianças não conseguem animá-lo um pouco.
– Eu acho uma excelente idéia. Vou avisar a ele que vocês virão mais tarde.
– Ok!
– Nos vemos mais tarde então.
– Tchau.
Maria estava na cozinha terminando o almoço quando Ian entrou para pedi-la para fazer pavê de chocolate, pois o seu irmão iria jantar com eles e iria levar as crianças e a Carla junto com ele.
– E o que você quer para o jantar?
– Não precisa se preocupar com o jantar. A Carla vai fazer macarronada.
A noite chegou e quando Lucas estava saindo do banho escutou vozes vindo da sala, provavelmente os seus tios chegaram com as primas para visitá-los. As sua primas eram lindas e fofinhas, duas meninas de 5 e 7 anos, Marcela e Luiza, respectivamente. Ele adorava quando os tios iam visitá-los em São Paulo e levava as meninas. Ele ficava horas brincando com elas (embora odiasse brincar de boneca com as duas) e assistindo TV. Os três sempre se divertiam muito juntos.
Quando chegou à sala foi recepcionado com um belo abraço e muitos beijos da primas que pularam em cima dele, quase o derrubando. Elas estavam felizes em saber que ele iria morar tão perto delas e apesar de tudo, ele também estava feliz de estar perto delas. Provavelmente elas seriam as únicas nesse planeta capazes de fazer nascer um sorriso do seu rosto.
A noite foi agradável, Lucas arriscaria até mesmo a dizer até que foi divertida, dentro do possível. A Marcela e a Luiza não paravam um segundo e não o deixavam se quer pensar na possibilidade de lembrar a sua tristeza ou falta de sorte.
Ele reparou que Ian também parecia mais feliz com a presença do irmão, da cunhada e das sobrinhas, e parecia ainda mais feliz por perceber que ele não apenas comeu da macarronada feita pela tia, como também estava sorrindo com as brincadeiras da Marcela e da Luiza. Por algum motivo, perceber que o tio ficou feliz em vê-lo melhor aqueceu o seu coração. Parecia que o espesso gelo que envolvia o seu coração começava a derreter uma das muitas camadas que o envolvia. O que o deixou um pouco confuso. Não entendia porque o fato de seu tio ficar feliz com tão pouco, o deixava menos triste.

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