E Se... Eu e Você...-3


Mais um capítulo meu povo... esse foi em tempo record... só não fiquem mal acostumados pq nem sempre eu tenho tempo de postar logo... cry...
Então! Postei esse rapidinho pq meu irmão me pediu tão gentilmente q eu não resisti... u.u
(Mentira... ele ta postando rápido assim pq ta morrendo de medo da ameaça de morte feita pel irmão... rs)
Ian, cala essa sua boca grande... eu não tenho medo de nada
(claro... só falta borrar as calças de medo de aranha e alma penada... kkkkk)
¬¬'
(Tá... Parei)
Mas continuando...
Boa leitura.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Algumas semanas após o Lucas se mudar para o Rio de Janeiro, tudo corria bem, se é que se pode chamar de bem o clima que se instalara no apartamento do Ian. Os dois andavam cabisbaixos, embora Ian procurasse não demonstrar a sua tristeza na frente do sobrinho, pelo contrário, estava sempre fazendo de tudo para que o Lucas melhorasse o humor e voltasse a ser o garoto sorridente de antes do acidente que vitimou os seus pais.
Às vezes o chamava para ir à praia, outras vezes o chamava para ir ao cinema ou comer fora, na maioria das vezes a resposta era negativa, mas algumas vezes ele conseguia arrastar o seu sobrinho para fazer alguma coisa. Estava cansado de vê-lo o tempo todo confinado naquele apartamento. Queria ver novamente o lindo sorriso do sobrinho, não sabia muito bem porque, mas parecia que a sua vida dependia da felicidade do adolescente que ultimamente estava tomando conta dos seus pensamentos na maior parte do dia e da noite.
Ian estava confuso e não gostava nem um pouco daquela sensação. Não deveria sentir esse sentimento de maneira tão profunda. É verdade que sempre amou muito aquele garoto, afinal ele era o único filho da sua querida irmã, agora, a única parte dela que ainda estava viva. Mas ainda assim, essa necessidade não deveria ser tão grande a ponto de fazê-lo passar o dia e a noite pensando em possibilidades de deixar o garoto feliz.
“Pelo menos agora eu tenho um problema a menos.” Pensou, referindo-se a sua monografia que foi aprovada com êxito por todos os professores na banca. Ian havia se formado em Fisioterapia e iria atuar na área de traumato ortopedia, estava animado com o fato de ter conseguido emprego em um dos maiores hospitais do Rio de Janeiro, além de montar a sua própria clínica. Sabia que apesar de não estarem mais aqui para lhe dar os parabéns, os seus pais e a sua irmã estavam orgulhosos dele, assim como o Daniel e a Carla, que faziam questão de dizer para todo mundo o fato.
– Eu estava pensando em procurar um trabalho de meio período para ajudar com as despesas da casa. – Lucas disse ao tio que estava sentado na frente da TV, procurando algo que deixasse o domingo menos chato.
– Nem pensar. Você vai terminar o ensino médio e depois vai fazer algum curso de graduação. Nada de trabalho por enquanto.
– Mas eu quero ajudar nas despesas.
– Eu posso muito bem sustentar nós dois com o meu trabalho e, para as suas despesas pessoais tem a mesada mensal que será depositada na sua conta todo mês, de acordo com o testamento deixado pelos seus pais.
– Mas tio Ian...
– Sem mais. Quando você tiver se formado em algum curso superior você pensa em trabalhar. Até lá, esquece esse assunto.
– Mas eu me sinto um inútil... Um peso morto pra você... Passo o dia todo aqui, sem fazer nada que não seja, comer, beber e estudar.
– Você pode fazer um curso de língua estrangeira ou praticar algum tipo de esporte. Sei lá. Qualquer coisa que não seja trabalhar.
– Aff... – Resmungou Lucas, frustrado por seu tio ter rejeitado a sua idéia.
A semana passou rápida e quando menos perceberam, já era sexta-feira.
Lucas estava no 5º degrau da escada trocando uma lâmpada quando Ian entrou na cozinha perguntando onde estava a Maria. O susto que o garoto levou foi tão grande que o mesmo se desequilibrou e teria se esborrachado no chão se o seu tio não fosse tão rápido.
Quando sentiu que ia cair a única coisa que conseguiu fazer foi fechar os olhos e pedir a Deus que o ajudasse a sair daquela queda sem quebrar nenhum osso, mas ao contrário do que ele esperava, não foi o chão duro e frio que ele sentiu contra o seu corpo pequeno e magro.
Sentiu seu corpo ser acolhido por braços fortes e quentes, uma respiração pesada em seu pescoço, fazendo a sua pele arrepiar até o último fio de cabelo. “Deus, que sensação é essa?” pensou. Abriu os olhos e se deparou com um par de esmeraldas o observando profundamente. Seus olhos se encontraram e por mais que quisesse se libertar dos braços do tio e desviar o olhar, ele não conseguia. Pra dizer a verdade, ele desconfiava que se fosse possível, passaria o resto da vida naquela posição, sem mover um músculo que fosse para se afastar do seu tio. Olhou um pouco mais para baixo e se deparou com uma boca vermelhinha e que parecia pedir por beijos, muitos beijos. “Oh céus, o que está acontecendo comigo?” Perguntou para quem pudesse ouvir os seus pensamentos.
Ian olhava para o sobrinho de olhos fechados na sua frente, fitando-o sem conseguir se afastar do garoto. Olhava cada detalhe do lindo rosto à sua frente. O rosto delicado, mas ao mesmo tempo masculino, o deixava sem fala. Respirar parecia à coisa mais difícil do mundo, parecia que o ar que entrava nos seus pulmões não era suficiente.
Ele estava com os dois braços em volta do Lucas, uma mão na base da coluna lombar enquanto que a outra mão subia um pouco mais, chegando até a coluna torácica.
Quando o Lucas abriu os olhos, ele sentiu-se hipnotizado por aqueles olhos verdes jade, inconscientemente ele aproximou um pouco mais do sobrinho, vendo o mesmo corar um pouco, deixando-o ainda mais bonito e atraente. Apertou um pouco mais o abraço, ficando com os corpos ainda mais colados um no outro, subiu a mão que estava na coluna torácica, passando pela coluna cervical até chegar ao rosto corado do garoto.
Ian não entendia o que estava fazendo e nem porque estava fazendo aquilo. Tudo que sabia era que precisava beijá-lo. Precisava sentir o gosto daqueles lábios carnudos e extremamente sexy. E era exatamente isso que iria fazer no momento em que ouviu a porta da cozinha sendo aberta. O som da fechadura pareceu tirá-lo do transe que se encontrava, o fazendo dar um salto para longe do sobrinho, como se o mesmo tivesse alguma doença contagiosa. Se estivesse participando de alguma prova de salto, provavelmente teria ganhado em primeiro lugar, com direito a Record mundial e índice olímpico.
– Ah! Que bom que estão os dois na cozinha. Será que poderiam parar de me olharem feito dois idiotas e me ajudar com essas sacolas? Elas estão realmente pesadas. – Disse Maria, totalmente alheia a tudo o que acabara de acontecer na cozinha.
– Hum... Claro. Desculpe. – Ian se desculpou pela falta de cavalheirismo, nesse momento ele já estava tão vermelho quanto o seu sobrinho.
Pegou a sacola da sua empregada e amiga, colocando as em cima da mesa. Depois arriscou olhar rapidamente para o sobrinho, percebendo que o garoto estava tão desconcertado quanto ele. “Droga. Onde eu estou com a cabeça. Eu quase o beijei. Droga. Droga. Droga.” Repreendeu a si mesmo por ter sido tão fraco.
– Está tudo bem com vocês? Estão esquisitos e vermelhos.
– Está tudo bem. – Disseram rápido, em uníssono.
– Não aconteceu nada demais. Estávamos apenas conversando. – Disse Ian, rezando para que o Lucas não dissesse o que realmente tinha acontecido.
Lucas estava vermelho e completamente perdido, não entendia o que tinha acabado de acontecer. Eles quase se beijaram. Se a Maria não tivesse entrado bem na hora “H”, nesse momento eles poderiam estar se agarrando na cozinha. Esse pensamento o deixou ainda mais vermelho, o coração batendo freneticamente, louco pra sair do peito. “Senhor. O que está acontecendo comigo.” Perguntou a Deus.
Porque esse sentimento de frustração afinal? Ele não era gay. Nunca tinha se interessado por outro homem em toda sua vida... Mas então, porque estava tão frustrado pela Maria ter interrompido o quase beijo?
Ele queria gritar. Precisava saber o que estava acontecendo consigo. Mas ao que parece, não teria essa resposta tão cedo, pois o único com quem ele poderia conversar sobre isso era o seu tio e, nesse exato momento ele parecia tão perdido quanto o garoto. “O fim de semana vai ser longo”. Pensou um Lucas tão envergonhado quanto uma garotinha diante do seu amado.

Postar um comentário

Designed by OddThemes | Distributed by Gooyaabi Templates