E Se... Eu e Você...-4


Boa leitura.
Depois do “quase beijo” o Ian e o Lucas mal conseguiam se olhar de tanta vergonha que sentiam um do outro. Sabiam que uma hora teriam que conversar sobre o que aconteceu na cozinha, mas estavam adiando a conversa o máximo que podiam.
O sábado passou lentamente, parecia provocá-los, por sorte a Maria trabalhava no sábado até o meio dia, o que acabou amenizando o clima tenso que se instalara na casa, e que roubara o lugar da tristeza.
Ian não tinha plantão nos sábados e domingos, o que fazia com que ele passasse todos os fins de semana em casa com o Lucas. Esse pensamento, o deixou ainda mais tenso. Primeiro porque precisava conversar com ele, e precisava ser logo. Segundo, porque eles iriam ficar fins de semanas e mais fins de semanas sozinhos naquele apartamento. Seria tortura demais e ele não sabia até quando iria agüentar segurar aquele desejo que tomava conta do seu corpo toda vez que o garoto surgia na sua frente. “Aaaaaaahhh! O que está acontecendo comigo meu Deus? Eu sempre fui heterossexual. Meu negócio sempre foi mulher, caramba. O que esse moleque está fazendo comigo?” Gritou mentalmente, na esperança que Deus o ouvisse e o tirasse dessa enrascada que se encontrava.
Andou até a sala, onde o sobrinho se encontrava jogado no sofá assistindo desenho anime. Os dois trocaram um breve olhar que logo foi quebrado à conexão, pois o Lucas desviou o rosto ruborizado em direção a TV.
–- Precisamos conversar.
Ian iniciou a conversa, não adiantava adiar o inadiável, mais cedo ou mais tarde teriam que colocar tudo em pratos limpos.
–- Sobre?
–- Você sabe sobre o que Lucas. – Respondeu, com o rosto completamente ruborizado. “Merda. Porque eu tive a brilhante idéia de quase beijá-lo? Agora tenho que passar por essa situação constrangedora. Bem feito pra você Ian. Quem mandou se guiar pelos seus malditos hormônios.” Mais uma vez Ian se repreendeu pela burrada que cometeu.
Lucas não disse nada, apenas o fitou sem conseguir proferir qualquer palavra. Seria errado o que eles quase fizeram, mas por algum motivo que ele desconhecia, ele teria ficado feliz se tivesse acontecido. Para ser sincero, ele queria que tivesse acontecido. O que tornava tudo ainda mais confuso. Por que raios ele estava tendo esse tipo de pensamento? “O Ian é seu tio Lucas. Se concentre e volte à realidade. Vocês são homens... O que quer dizer que são seres do MESMO sexo. ACORDA. Ele além de ser seu tio, tem o mesmo sexo e é bem mais velho.” Tentou convencer a si mesmo a esquecer o que estava sentindo.
–- Eu queria pedir desculpa por ontem. Eu não sei o que deu em mim e nem porque fiz aquilo. Foi errado. Você é apenas uma criança. É o meu sobrinho, isso sem falar somos homens. – Ian falava rápido, despejando todo seu arrependimento em cima do garoto.
–- Eu não sou mais criança. Já sou um homem. – Replicou, cheio de indignação na voz e na expressão.
–- Você é apenas um adolescente Lucas. Está passando pela pior fase da sua vida, em todos os sentidos. Eu deveria estar facilitando as coisas pra você e não piorando. Eu realmente sinto muito. Prometo que não vai voltar a acontecer.
–- Ótimo. – Respondeu com a face corada de raiva.
“Quem ele pensa que é para tratá-lo assim”. Pensou. Ele deixou de ser criança há muito tempo. Sempre odiou que o tratassem como criança e, no entanto, aquele que ele mais admirava estava o tratando assim neste exato momento.
Lucas saiu pisando pesado, as mãos fechadas com força, os passos ecoando pelo corredor enquanto ele seguia até o seu quarto, passando pela porta e em seguida fechando a mesma com força. Estava vermelho de raiva. Queria sair daquele maldito apartamento. Queria ficar algumas horas longe daquele idiota que algumas horas após tentar beijá-lo, estava o tratando como criança. “Que ódio.” Disse para si mesmo.
Ian viu o vermelho tingir o rosto do sobrinho, sinal de que ele estava realmente irritado. Mas a pergunta era... O Lucas estava mais irritado porque ele disse que não ia voltar a acontecer entre eles o que havia acontecido no dia anterior ou, ele estava irritado porque foi chamado de criança? Ele deixou claro que não gostou de ser chamado de criança, mas ainda assim, a dúvida dançava no cérebro do Ian.
Resolveu esclarecer essa maldita dúvida que não ia deixá-lo em paz. Foi até o quarto do sobrinho e bateu de leve na porta. Eles precisavam terminar a conversa. Não obteve resposta. Bateu novamente e mais uma vez recebeu o silêncio como resposta.
–- Lucas! Abre a porta. Precisamos terminar a nossa conversa.
–- Nós já falamos tudo que tínhamos pra falar. – Respondeu ainda irritado.
–- Por favor. Abre a porta. Me desculpe. E desculpe por chamá-lo de criança. É que você é apenas um adolescente e para mim vai ser sempre o meu garotinho. Meu sobrinho querido, filho da minha irmã que eu tanto amei e ainda amo. Estou me sentindo muito mal pelo que eu fiz ontem na cozinha. – Falou através da porta.
–- Você não fez nada. Lembra?! – Lucas o respondeu, abrindo a porta e olhando-o nos olhos.
–- Porque a Maria chegou a tempo de me impedir de cometer o maior erro da minha vida. – Disse. -- Mais uma vez me desculpe. Eu não queria fazer você passar por tudo isso.
Lucas não entendia porque, mas aquelas palavras o machucaram mais do que ele poderia imaginar. Isso não deveria estar acontecendo com ele. Ele não poderia estar se apaixonando pelo tio. Não é justo. Com tantas mulheres para ele se apaixonar e o seu coração tinha que bater mais forte justo por ele?
Ian queria que o Lucas tivesse certeza que não corria o risco de ser assediado novamente. O que ele não imaginava era que as suas palavras o machucavam mais do que qualquer outra coisa.
Lucas não disse mais nada a respeito. Apenas pediu ao tio que o deixasse tomar um banho em paz.
O jantar foi silencioso. O garoto não estava afim de papo, mesmo com o tio tentando puxar conversa. Assim que terminou o jantar, Lucas deu boa noite ao tio e voltou para o seu quarto. Segundo ele, “estava muito cansado”. Ian preferiu não discutir. Apenas assentiu e em seguida viu o sobrinho seguir em direção ao seu quarto.
Ian estava sem sono e por isso resolveu ver um filme no seu quarto, a sua cama de casal era bem espaçosa e aconchegante, assim ele poderia ficar muito mais a vontade, jogado na cama enquanto via TV.
Em algum momento enquanto assistia TV acabou adormecendo. Estava dormindo em decúbito dorsal, quando sentiu lábios quentes e macios sobre os seus, abriu os olhos espantado e se deparou com a pessoa que tanto desejava e que o estava deixando louco.
Lucas estava sentado na cama, ao lado do corpo do tio, conforme iam aprofundando o beijo, o garoto começou a deslizar o seu corpo sobre a cama, quando Ian percebeu, o seu sobrinho já estava deitado sobre si. Ian o abraçou forte, apertando o corpo do sobrinho contra o seu. Os dois se beijavam apaixonadamente. Lucas gemeu baixinho quando sentiu os lábios do tio descendo por seu pescoço, acariciando-o com os lábios e a língua, hora dando beijos molhados, horas lambendo a pele macia do menor.
Uma mão subiu até o pescoço do Lucas, segurando a sua cabeça antes de voltar a atacar os lábios do garoto de forma selvagem. A outra mão desceu até a coxa, apertando-a com força. Parecia que por mais que diminuísse a distância entre ambos, nunca era o suficiente e, Ian queria estar ainda mais perto do Lucas, ele necessitava disso.
Em um movimento rápido mudou de posição, deitando sobre o garoto, mas sem colocar todo o seu peso sobre ele. Tirou a camisa de ambos e voltou a beijar o sobrinho, foi descendo os beijos, passando pela mandíbula, pescoço, clavícula, continuou beijando até chegar a um mamilo, começou a acariciá-lo com os lábios e língua. Sentiu um prazer enorme quando o sobrinho gemeu baixinho o seu nome.
Continuou descendo a sua mão até chegar à coxa esquerda do sobrinho, segurou-a trazendo para cima do seu corpo, em seguida voltou a se concentrar no mamilo rosado e delicioso. Queria curtir o máximo possível aquele momento, depois ele pensava nas conseqüências dos seus atos. Naquele momento tudo que Ian queria pensar era no garoto lindo e delicioso à sua frente. Queria continuar sentindo o seu cheiro e o gosto da sua pele, e mais do que tudo, queria estar dentro dele.
Com movimentos rápidos Ian retirou o short dos dois, deixando os dois apenas de boxer. Girou o corpo mais uma vez, deixando o menor sobre si, enquanto continuavam se beijando e se acariciando. Os corações de ambos batiam freneticamente e a respiração ficava cada vez mais pesada devido à ansiedade do que estava por vir e também por causa dos muitos beijos seguidos, mal parando para respirar. “Quem precisa respirar quando pode ficar beijando essa boca deliciosa?“ Ian se perguntou, feliz com o que estava acontecendo.
Em seguida teve a brilhante idéia de mudar de posição mais uma vez. O que ele não esperava era que iria acabar caindo no chão duro, pois a cama havia acabado e ele não havia percebido.
Abriu os olhos, olhando para os lados e para a cama que se encontrava vazia. Voltou o seu olhar para o próprio corpo e percebeu que estava completamente vestido.
Mesmo vestido, ele conseguiu visualizar o grande volume que havia se formado dentro do seu short. “Ah cara. Era só que faltava agora. Sonhos eróticos com próprio o sobrinho?! Isso é demais pra mim.” Falou consigo mesmo, irritado.
Olhou para o relógio no pulso e o mesmo marcava que era apenas 22:00. Ian não pensou duas vezes, fez o que achou ser a melhor opção para resolver todos os seus problemas.
–- Fernanda?
–- Ian. Até que enfim resolveu dar o ar da graça. Achei que tinha se esquecido de mim.
–- Esquecer de você? Jamais. Desculpe não ter te procurado antes, estou cheio de problemas e sem tempo para nada.
–- Eu fiquei sabendo do que aconteceu com a sua irmã e o seu cunhado. Eu sinto muito.
–- Obrigado. Escuta, eu estava pensando se você não quer almoçar comigo amanhã.
–- Almoçar com você amanhã?
–- Sim.
–- Só nós dois ou o seu sobrinho também estará no encontro?
–- Só eu e você. Ninguém mais.
–- Bom. Nesse caso eu aceito.
–- Ok! Te pego amanhã ao meio dia. Pode ser?
–- Pra mim está ótimo.
–- Então até amanhã. Beijos. – despediu-se Ian.
–- Tchau gato. Nos vemos amanhã. Sonhe comigo. Beijos.
Ian desligou o telefone e rezou para todos os santos possíveis, não importava qual fosse o santo responsável pelo milagre, tudo que ele queria era que esse sentimento e esse desejo pelo sobrinho passasse.
Colocou o telefone sobre o criado mudo ao lado da cama e foi tomar um banho gelado para diminuir o calor que o sonho provocou em seu corpo.

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