E Se... Eu e Você...-5




Boa leitura.
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No dia seguinte Ian ligou logo cedo para o irmão e a cunhada. Precisava de um tempo longe Lucas e perto de mulheres bonitas e muito sexy. “Sim. É disso que estou precisando. Esse sentimento vai passar, você vai ver Ian.” Tentou convencer a si mesmo.
– Dan. Tudo bem?
– Oi Ian. Tudo bem e com você e o Lucas?
– Estamos bem. Escuta Dan, será que você e a Carla poderiam passar o dia com o Lucas?
– Claro que sim, mas aconteceu alguma coisa?
– Não. Está tudo bem. Eu só preciso do domingo livre, tenho um encontro.
– já vai recomeçar o rodízio de mulheres na sua vida?
– Não começa. Eu realmente preciso desse tempo a sós com a Fernanda.
– Está tão necessitado de sexo assim?
Ian teve a impressão que o seu irmão estaria se contorcendo de rir nesse momento. “Nada como se divertir através da desgraça alheia.” Pensou irritado.
– Se você soubesse...
– Se eu soubesse?
– Nada. Apenas preciso me distrair um pouco. De qualquer forma, o Lucas se anima muito mais quando está com a Marcela e a Luiza do que quando está apenas comigo.
– Quem é a vítima da vez?
– Quem vê você falando assim pensa que eu sou o vilão dessa história. O grande pegador.
– E não é? Você vive quebrando corações alheios.
– Isso não é verdade. Eu apenas faço a alegria da mulherada, além do mais, na maioria das vezes eu que sou assediado por elas. O que posso fazer se as mulheres não resistem ao meu charme?!
– Sei... Que horas você vai trazer o Lucas amanhã?
– Eu marquei com a Fernanda ao meio dia, então eu devo passar aí até as 11h00min.
– Ok! Vamos ficar esperando.
– Então nos vemos daqui a pouco.
Ian desligou o telefone e foi preparar o café da manhã enquanto o Lucas não acordava. Alguns minutos depois o seu sobrinho apareceu na cozinha vestido apenas um short curto e sem camisa. “Ele só pode estar me provocando.” Pensou Ian enquanto tentava desviar o olhar do corpo do sobrinho.
Com muito esforço Ian conseguiu desviar o olhar do corpo pequeno, mas muito sexy que estava do outro lado da cozinha. Tentou não pensar no assunto com a letra “S”, mas estava difícil, afinal a sua perdição estava sentado à sua frente usando apenas um short curto.
– Hum... Depois que terminar o seu café troque de roupa porque vamos para a casa do Daniel, você vai passar o dia com eles.
– Você não vai ficar com a gente?
– Não.
– Vai trabalhar?
Lucas sabia que o tio não iria trabalhar no domingo, mas preferia imaginar que ele fosse trabalhar e não se encontrar com uma piriguete qualquer, louca pra “dar” pra ele.
– Não. Tenho um compromisso inadiável.
– Um encontro?
Ian apenas o olhou, não disse nada. Apenas olhou naqueles profundos olhos verdes jade. Como era possível alguém tão jovem ter olhos tão lindos e expressivos daquele jeito? Ian se perguntava.
– Vai se encontrar com a sua namorada?
– Ela não é minha namorada. Ainda.
“Ainda”. Definitivamente Lucas odiava essa palavra. Ele começou a imaginar como seria a “piriguete” que estava louca para lhe roubar o Ian. O que definitivamente não foi uma boa ideia, pois quanto mais ele pensava em como ela deveria ser, mais raiva ele tinha dela. “ Se ela pensa que vai roubá-lo de mim tão facilmente, está totalmente enganada.” Pensou, cheio de determinação. E quando ele enfiava uma coisa na cabeça não tinha quem o fazia mudar de ideia. “Ela que me aguarde.” Pensou, com um sorrisinho malicioso no rosto. Os olhos perdidos em pensamentos nada amigáveis, pelo menos não para a futura namorada do seu querido tio.
– Lucas? Lucas está me ouvindo?
– Oi! Desculpe, eu estava meio distraído.
– Qual é a graça? Não que eu não goste de te ver sorrindo, porque acredite, eu gosto muito, pra dizer a verdade eu amo o seu sorriso. – Ian falou sem pensar. – Quer dizer, eu gosto quando você ri, pois isso quer dizer que você está voltando a ser o Lucas que sempre foi.
– Hum... Não é nada demais... É só que eu estava pensando se tem algum problema em eu convidar a Luana para passar o próximo fim de semana com a gente.
– Luana é a sua namorada, certo?
– Sim.
– Eu não sei se é uma boa ideia Lucas, ela é só uma adolescente, não sei se é uma boa ideia ter vocês dois no mesmo teto por um fim de semana inteiro.
Na verdade Ian não estava nem um pouco preocupado com isso, o que ele não queria mesmo era ter a namorada do sobrinho aqui. Não estava nem um pouco a fim de ver os dois se agarrando na sua frente. Não sabia se teria estômago para ver tais cenas.
– Por favor tio Ian. Nós vamos nos comportar.
– Lucas...
– Eu estou com saudades da minha casa e a Luana me faz sentir em casa.
Lucas pediu com os olhos marejados, mais parecia o gato de botas no filme Shurek. “Eu definitivamente devia fazer um curso de teatro, pois levo jeito pra coisa.” Pensou Lucas, sorrindo por dentro e com a certeza que o seu tio não iria lhe negar esse desejo.
– Está bem... Mas você tem que me prometer que vão se comportar.
– Eu prometo.
Lucas respondeu com um largo sorriso. “Deus, como ele consegue ser tão lindo?” Ian questionou mentalmente.
O caminho até a casa do Daniel foi percorrido em menos de dez minutos, as ruas não estava repleta de carros como de costume, pelo contrário, estava com um fluxo bom e rapidamente eles chegaram à casa do Daniel.
Mais uma vez Lucas foi recepcionado pelas primas com muitos beijos e abraços apertados. Ele amava muito aquelas garotinhas, eram como irmãs para ele e era sempre muito bom estar com elas, mesmo sabendo que para estar ali com as suas priminhas, teria que abrir mão de estar na companhia do tio, que infelizmente tem um encontro com uma qualquer.
– E eu? Não ganho beijos e abraços também? Desde que o Lucas veio morar comigo vocês andam me esnobando.
Ian se queixou com as sobrinhas, fazendo uma cara triste. Dava até vontade de consolá-lo, e foi exatamente isso que a Marcela e a Luiza fizeram, consolaram o tio.
– Pelo visto tem alguém carente aqui. – Falou o irmão.
– E com ciúmes. – Completou Carla, rindo do cunhado ciumento.
– É claro que eu fiquei com ciúmes, antes quando eu chegava aqui toda essa atenção era exclusiva para mim, agora o Lucas roubou o meu posto e eu nem sequer sou notado, a menos que eu reclame e implore por atenção.
E com essa declaração Ian conseguiu arrancar altas risadas de todos que estavam na sala, inclusive de um certo garoto que mexia tanto com o seu coração e com os seus hormônios que estava a ponto de enlouquecê-lo.
– Eu tenho que ir, a noite eu passo aqui para pegá-lo.
– Ok!
Lucas não queria que Ian fosse se encontrar com a vadia que provavelmente iria aproveitar cada minuto ao lado dele e iria tirar o atraso com o seu tio. Lucas só rezava para que ele fosse esperto o suficiente e usasse preservativo para não engravidá-la e nem pegar qualquer tipo de doença sexualmente transmissível. Esse pensamento o deixava ainda mais irritado com a vadia e com o próprio Ian.
Ian saiu para o seu encontro e pouco tempo depois eles também saíram, pois iriam almoçar fora e depois iriam passar a tarde na Quinta da Boa Vista. As suas primas quase imploraram aos pais para levá-las ao zoológico. Ele não conhecia o local, mas estava curioso para conhecer, pelos comentários das primas e da tia o lugar parecia ser realmente muito bonito.
Pouco tempo após chegarem ao restaurante ele vê um casal passando pela porta, chamando a sua atenção. “Não era possível, Deus finalmente estava do seu lado.” Disse mentalmente. Feliz com a coincidência, Lucas apenas sorriu, chamando a atenção de todos que estava à mesa.
– O que foi Lucas? Porque está rindo sozinho? – Perguntou o tio, curioso.
– Ah! Nada demais... É só... Olha quem acabou de entrar. – Disse acenando para a porta.
– Hum... Ela é gostosa. Ai. – Resmungou Daniel após levar um tapa da mulher. – Isso doeu.
– Ótimo. A intenção foi essa. – Respondeu Carla, brava com o marido.
– Mas eu estava brincando.
– Sei...
Lucas limitou-se a rir com o comportamento dos tios.
Ian conversava com o garçom que os atendeu quando os seus olhos cruzaram com um par de olhos verdes jade, tão conhecidos por ele, olhos que o deixava desconcertado de tal maneira que o seu coração parecia que ia saltar pela boca a qualquer momento.
“Droga. O que eles estão fazendo justo nesse restaurante?” Pensou irritado.
Desviou o olhar e viu o seu irmão acenando, tentando chamar a sua atenção. Foi de encontro a sua família e os apresentou a sua acompanhante. A meninas ficaram tão felizes por vê-lo no mesmo restaurante que elas que não perderam a oportunidade de convidá-los para sentarem na mesa deles. Ian e Fernanda não queriam sentar com eles. Ian porque queria ficar um tempo distante do garoto que estava acabando com a sua sanidade e a Fernanda porque queria ficar a sós com o cara que ela estava tentando conquistar a mais de um ano. Mas por insistência das meninas eles acabaram aceitando.
Após o almoço Ian mais uma vez foi convencida pelas sobrinhas a ficarem com eles, mas dessa vez no passeio ao zoológico. Ele nunca conseguia dizer não para as duas pestinhas mais lindas e fofas que ele já conheceu.
A noite chegou logo e Ian foi levar a sua acompanhante em casa. Mal parou o carro e foi atado pela Fernanda que estava em tempo de ter um ataque de tanta vontade de beijá-lo. Ela praticamente o devorava, beijava-o com ferocidade enquanto passava a mão pelo corpo sarado do homem à sua frente, deixando-o completamente excitado. Ele precisava recuperar o tempo atrasado. Há tempos não transava com ninguém, mas por mais excitado que a Fernanda o deixasse, não nela que ele estava pensando naquele momento. Ele queria estar com o Lucas, queria poder olhar naqueles olhos verdes nesse exato momento, queria poder abraçá-lo e beijá-lo, sabia que não podia, mas era o que mais queria nesse momento, não tinha dúvidas quanto a isso.
– Fernanda. Fernanda espera.
– O que foi agora Ian? Passamos a tarde toda aguentando os seus sobrinhos te alugando e nem podemos aproveitar a tarde juntos. Não acha que eu mereço uma recompensa?
– Eu sei. Desculpe por isso, mas eu preciso ir. Ainda tenho que pegar o Lucas na casa do Daniel.
– O que? Você só pode estar de brincadeira né?
– Desculpe. Eu realmente tenho que ir.
A mulher saiu do carro soltando fogo pela boca, mais parecia um dragão raivoso.
Poucos minutos após deixar a Fernanda em casa, Ian pegou o sobrinho na casa do Irmão e foram para o seu apartamento. Eles fizeram todo o percurso calados. Não sabiam o que falar um para o outro, por isso preferiram o silêncio, afinal, não era de todo ruim.
– Eu vou para o meu quarto. – Disse o garoto, indo na direção do seu quarto.
– Espere. – Ian pediu, segurando a mão do sobrinho. Sentiu um choque percorrer o corpo ao tocar a mão do garoto. “O que é isso meu Deus? Nunca senti nada parecido por ninguém. O que está acontecendo comigo?” Pensou.
Os olhos do garoto se encontraram com os do tio, deixando-o ainda mais desconcertado, não sabia o que fazer e muito menos porque segurou a mão do sobrinho. Seguiu um impulso e agora não sabia o que fazer.
– O que foi?
– Está tudo bem? Você está mais calado que o normal.
– Estou ótimo. Agora se me der licença eu preciso de um banho. – Disse enquanto tentava puxar a mão presa contra as mãos do tio.
– Porque está agindo assim comigo?
– Eu não sei do que você está falando.
– Porque está me evitando Lucas?
– Não estou te evitando, apenas estou cansado.
– Tão cansado que não pode conversar comigo por cinco minutos?
– Porque não vai atrás da Fernanda para conversar com ela? Tenho a impressão que ela vai ficar muito feliz em te ver. – Disse sem conseguir esconder o ciúmes.
– Eu não quero conversar com a Fernanda. Quero conversar com você. Por isso a dispensei. Eu pretendia passar a noite com ela mas...
– Mas?
– Eu... Eu... Eu precisava te ver. – Disse antes de fazer algo que sabia que não deveria fazer, mas que precisava. Precisava muito, era como se a sua vida dependesse daquilo.
Lucas não podia acreditar no que estava acontecendo. Alguns minutos atrás ele estava morrendo de ciúmes e com raiva do tio por causa da vadia que estava com ele e... agora... ele estava nos braços do tio, sentindo os lábios do mesmo roçando suavemente contra os seus, como se estivesse testando a textura antes de provar o sabor.
A sensação era maravilhosa, o calor que subia pelo seu corpo parecia que iria queimá-lo a qualquer momento, mas ele não se importava, na verdade ele queria que aquele fogo ficasse ainda mais intenso. Sentiu os lábios macios do tio pressionarem os seus com mais força, com mais urgência, a língua pedindo passagem, pedido esse que ele fez questão de atender o mais rápido possível, pois queria saber qual era o sabor da boca do homem que fazia o seu coração bater tão forte.
Ian estava recriminando-se pelo que estava fazendo, sabia que era errado, mas não foi capaz de parar o seu próprio corpo, era como se o corpo não obedecesse o cérebro. Sentiu as mãos do sobrinho percorrer o seu abdômen até chegar ao seu pescoço, segurando-o e acariciando a sua nuca com uma mão, enquanto a outra subia até a sua cabeça, bagunçando os seus cabelos.
Ian queria mais, o beijo que estavam trocando não era suficiente para saciar o seu desejo, queria sentir o gosto do beijo do sobrinho. Pediu passagem para a sua língua, e logo foi atendido, mal acreditou quando sentiu o sobrinho separando os lábios para que a sua língua o invadisse e sentisse o gosto de cada pedacinho daquela boca maravilhosa, fazia uma exploração minuciosa da boca do menor enquanto os seus braços o rodeava, abraçando-o possessivamente. Era ali que ele queria estar para sempre. Exatamente ali, com o sobrinho totalmente entregue em seus braços.
Esse pensamento fez Ian voltar a realidade e perceber o que estava fazendo. Aquilo não era certo. O Lucas era o seu sobrinho, menor de idade e agora estava sobre a sua proteção. Deveria protegê-lo e não assediá-lo. Com a realidade falando mais alto ele se separou daquele que estava acabando com o pouco de sanidade que ainda lhe restava.
– Desculpe Lucas. Por favor me desculpe. Eu disse que nunca mais ia te assediar, no entanto agora... – Ele nem sequer conseguia terminar a frase. Estava decepcionado consigo mesmo. – Não vai voltar a acontecer. Eu juro.
– Não tem porque se sentir culpado de nada, você não me forçou a nada tio. – “Tio.” Tá aí a maldita palavra que servia como um abismo para o relacionamento dos dois.
– Eu sei. Mas ainda assim o que eu fiz foi errado e você pode ter certeza que não vai voltar a acontecer. Eu juro. Então por favor, vamos esquecer esse assunto. Eu imploro.
– Como queira. – Respondeu o garoto decepcionado. Saindo da sala com passos pesados.

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