E Se... Eu e Você...-6



*Boa leitura 
Ian respirou fundo, a vontade de ir atrás do garoto e abraçá-lo era tanta que ele chegava a sentir o coração doer. Como ele não percebeu antes? Agora estava mais do que óbvio que o sentimento que nutria pelo garoto era recíproco. Mas o que fazer nessa situação? Ele o amava. Sim, era amor o que sentia pelo sobrinho. No início ele achou que fosse apenas amor fraternal, paternal ou qualquer outro tipo de amor, menos esse que ele agora tinha certeza que nutria pelo garoto que nesse momento estava bravo e decepcionado com ele.
Nunca havia se apaixonado antes e quando finalmente se apaixona, tem que abrir mão desse sentimento, em nome da consideração que sempre teve com a irmã, isso sem falar na possibilidade de perder a guarda daquele que faz o seu coração bater tão forte que mais parece bateria de escola de samba.
Após finalmente tomar um banho, Ian passou horas jogado no sofá, olhando para a parede branca, fitando o nada. A cabeça estava a mil por hora, tentando achar uma saída para aquela situação no qual havia se metido. “Porque isso tinha que acontecer justo com a gente? Não é justo. Já não sofremos o bastante?” Pensou, completamente desesperado.
As lembranças do ardente beijo que trocou com o sobrinho vinha a mente a cada cinco minutos, assim como um sorriso bobo no rosto, seguido por uma enorme tristeza.
Acabou adormecendo no sofá mesmo. Não tinha forças e nem vontade de levantar e andar até o seu quarto. A sua semana ia ser uma merda mesmo, então porque não começá-la com dores no corpo inteiro, por dormir todo torto em um sofá pequeno demais para acomodá-lo.
Enquanto Ian se encontrava totalmente fora de órbita no sofá da sala, o seu sobrinho estava deitado em sua cama, pensando em como iria fazer para o tio mudar de idéia e esquecer o fato de serem parentes. Ele não se importava com isso, nem mesmo se importava com o fato de terem o mesmo sexo, embora soubesse que assumir essa nova condição sexual não fosse ser nada fácil, pelo contrário, iriam ter que aguentar muitos insultos e olhares de reprovação, mas ele nunca ligou para a opinião alheia mesmo.
Os seus sentimentos estavam confusos, ele se sentia feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por finalmente terem se beijado pela primeira vez e triste por saber que essa pode ter sido a primeira e última vez nos braços daquele que tanto ama.
Passou grande parte da noite imaginando uma forma de conquistá-lo de tal modo que o mesmo não iria nem conseguir pensar na hipótese de afastá-lo. Teve algumas ideias mas não teria coragem de colocá-las em prática, ficava vermelho só de imaginar, imagine se fosse usar na prática as suas ideias. “Não. Melhor deixar isso pra lá.” Disse baixinho, para si mesmo.
No dia seguinte Lucas teve que tomar café da manhã sozinho, pois o seu tio saiu bem cedo, numa tentativa desesperada de ficar com as mãos e a boca bem longe do sobrinho.
Quando voltava do trabalho estava tão cansado que mal conseguia se manter em pé. Hoje não foi diferente, assim que chegou em casa, tomou um banho bem relaxante que durou pelo menos meia hora na sua banheira de hidromassagem, depois foi até a cozinha comer alguma coisa, encontrou o sobrinho sentado em uma das cadeiras ao lado da mesa comendo um pedaço de pizza. Estava usando apenas o seu short de dormir. Deixando-o excitado com a imagem à sua frente.
– Eu pedi pizza e tem coca cola na geladeira.
– Obrigado.
Lucas ficou calado depois do breve diálogo. Não sabia o que dizer ao tio. Tinha tantas coisas para falar, mas não sabia como. Sabia que o amava... Mas e se não fosse correspondido? E se o que o seu tio sentisse por ele fosse apenas atração? Não queria arriscar, ainda não, precisava ter certeza se era correspondido antes de tomar qualquer atitude e ele sabia exatamente o que iria fazer... E como sabia... Esse pensamento o fez dar um sorriso discreto com o canto dos lábios.
– Como foi o seu dia. – Perguntou Ian, aparentando estar muito mais cansado do que demonstrava.
– Foi bem e o seu? Parece estar muito cansado.
– Foi bem, embora eu deva admitir que estou morto de cansaço. Assim que terminar de comer eu vou dormir.
– Quer uma massagem? Eu costumava fazer nos meus pais quando eles chegavam cansados e isso sempre os ajudavam a relaxar.
– Eu não sei se é uma boa ideia Lucas. – Disse olhando nos olhos do sobrinho, o desejo de beijá-lo aumentando dentro de si.
– É só uma massagem, o que pode acontecer demais?
Ian observou o sobrinho olhando-o com um rosto inocente antes de responder a sua pergunta.
– Está bem. Eu estou mesmo precisando relaxar, a semana está sendo realmente cansativa. – O sorriso do sobrinho foi tão largo que ele se questionou se havia tomado a decisão correta. “Ele não pode estar tramando alguma coisa, pode?” Se perguntou.
– Vem, eu vou fazer a melhor massagem que você já recebeu na vida. – Disse com um lindo sorriso no rosto, fazendo com que o seu tio começasse a se arrepender de ter concordado com aquilo. Sabia que seria difícil relaxar com a pessoa que tanto desejava tocando-o. O máximo que iria conseguir era uma ereção no momento errado.
Assim que terminaram de comer saíram da cozinha para Ian receber a sua massagem. O desejo pelo garoto o deixando cada vez mais tenso. Sabia que seria difícil controlar o impulso de agarrá-lo, mas agora era um pouco tarde para arrependimentos. “Então que Deus me ajude.” Pensou.
– Acho que dá pra fazer a massagem aqui mesmo, no sofá, ele é confortável e espaçoso.
– No sofá? Você nunca vai relaxar nesse sofá. O máximo que vai conseguir é ficar ainda mais dolorido. – Olhou para o tio e completou. – Não se preocupe, eu não mordo.
– Eu sei. Não é com você que estou preocupado, é comigo.
– O que quer dizer? – Perguntou, se fazendo de inocente.
– Nada. Deixa pra lá.
– Ok! Então vamos.
Ao chegarem no quarto do Ian, Lucas o mandou deitar em decúbito ventral*, sem camisa, usando apenas o short, ou se preferisse, apenas cueca. Ian preferiu ficar de short. “É mais seguro.” Pensou.
Lucas ligou o som que ficava no quarto do tio antes de começar a seção “relaxamento.”Colocou uma perna em cada lado do corpo do tio e começou passando um pouco de creme sobre o corpo do mesmo, espalhou o creme lentamente nas costas do homem sexy e sarado à sua frente, espalhando de maneira sexy, seduzindo-o, enlouquecendo-o, fazendo-o arrepiar cada vez que sentia as suas mãos tocando-o, acariciando-o. O garoto sentiu a respiração do tio falhar algumas vezes, quando o mesmo tocava em alguma parte mais sensíveis, isso o deixou mais confiante e em um certo momento ele resolveu ousar um pouco mais. Chegou bem perto do rosto do tio e começou a acompanhar a música que tocava no rádio. A sua voz estava meio rouca, devido ao nervosismo, mas isso só a deixou mais sexy, fazendo com que o homem deitado abaixo do garoto quase enlouquecesse de desejo.
O que tem por trás desse sorriso, que me deixa fissurado em você?
É um misto de desejo e vício, já tentei mais não consigo entender.
Toda vez que eu te encontro, Sinto os pés fora do chão.
Toda vez que eu te olho, não consigo dizer não.
Por mais que eu queira não consigo mais pensar em nada, nada.
Quando eu notei já era amor, eu não imaginava.
Por mais que eu queira não consigo mais pensar em nada, nada.
Quando eu notei já era amor, eu não imaginava.
Que eu fosse querer, era você.
Pra que entender, eu to amando você.
Nanana... Nanana... Nanana...
Enquanto cantava baixinho perto do seu ouvido, o garoto continuava fazendo a sua excitante massagem, deixando-o mais louco de desejo do que ele achou poderia ficar um dia. “Esse garoto vai ainda me enlouquecer meu Deus.” Pensou.
– Vire-se. – Disse o garoto, com o rosto colado ao seu, a voz sexy no seu ouvido, fazendo todo seu autocontrole desaparecer na mesmo hora. “Droga. Como eu consigo ser tão fraco? Ele é só um adolescente. Muito sexy e sedutor, mas ainda assim, é só um adolescente.”
Lentamente Ian virou-se, com o garoto ainda sobre si, a respiração estava pesada, o desejo visível nos olhos dos dois. Se olharam por um tempo, como se estivessem planejando o próximo movimento. Eles se desejavam, isso era óbvio. Não tinham como negar. “E aquela música que ele cantou no meu ouvido, o que foi aquilo Deus?”
Não aguentando mais esperar o tio tomar uma atitude, o garoto foi abaixando-se lentamente, ficando com as faces bem próximas uma da outra. Sentindo a respiração um do outro. As mãos voltando a acariciar o corpo do tio, descendo e subindo pelo tórax definido, enlouquecendo-o. Ian fechou os olhos, apenas sentindo a sensação maravilhosa causada pelas mãos macias do sobrinho passeando pelo seu corpo. “Como algo tão errado poderia ser tão bom?” Perguntou-se.
Sentiu um leve toque nos seus lábios, abriu os olhos e viu aqueles intensos olhos verdes jade olhando-o enquanto acariciava-lhe os lábios. Como ele pôde se deixar seduzir por um adolescente? Era o que Ian se perguntava no momento em que segurou a nuca do garoto, puxando-o para mais perto de si, a princípio beijando-o suavemente, mas o desejo era tanto que em apenas alguns segundos os dois se beijavam intensamente.
Mudou de lugar com o sobrinho, deitando-o na cama. As línguas de ambos se tocavam de uma maneira sexy, fazendo com que o desejo aumentasse ainda mais, se é que fosse possível. As mãos passeavam pelos corpos suados, colados um ao outro, tentando diminuir a distância inexistente, mas que para eles era demasiadamente grande e por esse motivo tentavam ficar ainda mais grudados um ao outro. Os lábios do mais velho descendo pelo pescoço do menor após enchê-lo de beijos por toda a extensão do belo rosto. Foi descendo os lábios pelo pescoço do garoto, dando beijos inocentes e em seguida passando a língua pela pele macia do sobrinho, sentindo o gosto e o cheiro inebriante do mais novo. Queria sentir e gravar na mente o cheiro e o gosto de cada pedacinho daquela pele deliciosa.
Nunca nada tão errada lhe parecera tão certo. Eles se pertenciam, por mais que fosse errado o que estivessem fazendo, eles se pertenciam, isso era fato. Não havia mais como negar e eles sabiam disso.
Continuou explorando o corpo do garoto, conhecendo cada curva que o menor possuía, chupando os mamilos enquanto sua mão esquerda adentrava o short daquele que estava acabando com a sua sanidade. Tocou a parte mais íntima do sobrinho, fazendo o gemer com aprovação, o som do gemido do menor o deixou ainda mais excitado, precisava dele, precisava estar dentro dele ou iria entrar em combustão a qualquer momento.
– Me faça seu.. – Lucas disse com a voz rouca e trêmula. Os olhos verdes com um brilho que Ian nunca havia visto antes naquele par de olhos verdes jade. Aquela imagem só o deixou ainda mais excitado, completamente louco pelo garoto. Atacou os lábios do sobrinho novamente, beijando de maneira ardente.
– Não faça isso comigo... Você vai me enlouquecer assim... Não sei por quanto tempo vou conseguir me segurar e evitar possuí-lo aqui e agora.
– Eu não quero que você se segure. Eu quero ser seu. Só seu.
– Lucas. Não podemos. – Disse enquanto se afastava do sobrinho. Ele não queria se afastar, mas não podia correr o risco de perder a sua guarda.
– Por favor, não faça isso novamente.
– Desculpe. Eu também quero, tanto quanto você, mas não podemos, você sabe muito bem disso. Eu posso ser preso por pedofilia. Por favor entenda.
– Ninguém precisa ficar sabendo. Vai ser o nosso segredo.
– Esse é o tipo de segredo que não tem como esconder por muito tempo Lucas. Mais cedo ou mais tarde alguém vai acabar descobrindo e vai nos afastar.
– Mas...
– O que você prefere, que fiquemos juntos por alguns momentos e depois sejamos obrigados a nos afastar ou que possamos ficar juntos, sem nos envolver romanticamente, mas pelo menos estaremos perto um do outro?
– Eu quero ficar com você.
– Eu não quero perder a sua guarda, confesso que quando fiquei sabendo que teria que cuidar de você eu me desesperei, não queria essa responsabilidade, pois nunca fui bom em cuidar nem dos animais de estimação que já tive, quanto mais de um adolescente, mas agora, agora eu não posso nem pensar na hipótese de perdê-lo. Eu não posso. Desculpe-me. – Falou com a voz embargada.
O garoto o abraçou forte, sendo correspondido pelo tio... Passaram alguns segundos abraçados, mas em seguida se separaram, os olhos demonstrando a tristeza que ambos sentiam por não poderem ficar juntos.
– É melhor eu ir para o meu quarto.
– Acho que sim. Tenha uma boa noite. – Disse enquanto dava um beijo na testa do sobrinho.
– Boa noite.
Observou o sobrinho sair cabisbaixo do seu quarto. O seu coração doía, mas ele sabia que era melhor assim. Não podiam ficar juntos, pelo menos não agora. Quem sabe quando ele completar dezoito anos. Sabia que o seu amor pelo garoto não ia acabar e poderia esperá-lo, mas será que o sobrinho poderia esperar até completar a maior idade para que pudessem ficar juntos? Ele preferia acreditar que sim.
Deitou na cama e ficou olhando para o teto, esperando o sono chegar, mas sabia que seria difícil, ainda podia sentir o cheiro do menor no seu lençol e travesseiro, abraçou o travesseiro com força e ficou por um bom tempo sentindo o cheiro maravilhoso deixado pela pele do sobrinho. “Ainda vamos ficar juntos Lucas. Um dia, você vai ver.” Tentou convencer a si mesmo.
Ao chegar em seu quarto o garoto não conseguiu segurar as lágrimas que teimavam em descer pelo rosto marcado pela dor de não poder estar com aquele que amava. Odiou o fato de serem parentes e odiou ainda mais o fato de ser menor de idade. “Porque tudo na minha vida tem que ser tão complicado?” Perguntou-se, pouco antes de finalmente adormecer.

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